Impactos da Inteligência Artificial na cognição humana

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Nos últimos meses, não se fala em outra coisa no mundo da tecnologia: a Inteligência Artificial é, sem dúvidas, a bola da vez. 

Todo esse buzz não é para menos — ferramentas baseadas nessa tecnologia já são capazes de criar textos, imagens e, até mesmo, códigos de programação, com muita destreza e precisão. No entanto, a impressionante capacidade dessa novidade traz consigo alguns receios e questionamentos: quais serão os impactos da Inteligência Artificial em nossa sociedade? Será que o saldo será positivo ou negativo? 

Acompanhe a leitura e saiba mais sobre esse tema intrigante e controverso!


ÍNDICE


Inteligência Artificial: amiga ou vilã?

O avanço acelerado da IA nas mais diversas áreas da sociedade está deixando muitos profissionais de cabelo em pé.

Muitas são as dúvidas e as angústias em torno da recente popularização da tecnologia — que, não é uma novidade e já vem sendo explorada há anos, mas atualmente passa por um boom de popularidade. Uns acreditam que tamanha modernização só trará benefícios às pessoas,  simplificando a forma como produzimos, consumimos e nos relacionamos. Outros discordam e, inclusive, encaram a atual transformação digital como uma grande ameaça para profissionais de diversas áreas do mercado.

Para o Linguista e Doutor em Letras Pablo Jamilk, “(…) na mesma velocidade em que essa ferramenta pode ajudar companhias a aumentar a velocidade de seus negócios, também pode prejudicar sobremaneira a cognição humana.” 

Mais do que enaltecer ou criticar a tecnologia que parece estar “roubando” alguns empregos, é fundamental analisar esse cenário de modo ainda mais profundo. Já parou para pensar de que maneira o uso dessas ferramentas pode influenciar na vida e no desenvolvimento das pessoas? Quais serão os reais impactos da Inteligência Artificial em nossa sociedade, no longo prazo? 

Afinal, será que a forma que o ser humano aprende e se desenvolve pode estar sendo comprometida por esses avanços tecnológicos?

Conceito de inteligência cognitiva e seus desdobramentos

Antes de refletirmos sobre a influência da IA em nosso modo de aprender e ensinar, é preciso compreender o que é a inteligência cognitiva e qual é o seu papel em nossa vida cotidiana.

É chamada inteligência cognitiva a abordagem voltada a compreender o complexo funcionamento da mente humana, de modo a aplicar características desse funcionamento em dispositivos tecnológicos. A intenção é que esses dispositivos emulem a linha de raciocínio humana e, assim, possam chegar a resultados iguais ou superiores na resolução de problemas e em processos de criação e inovação.

Para o cognitivismo, o computador surge como um campo de comparação e experimentação. A ideia de comparar a mente humana com computadores é, segundo estudiosos, uma maneira de expor conceitos básicos relativos à inteligência, memória e funcionamentos sistemáticos.

Inteligência cognitiva x Aprendizagem

Dito isso, pode-se constatar que a inteligência cognitiva tem tudo a ver com aprendizagem. Aprender é um processo que envolve a aquisição de novos conhecimentos e habilidades, enquanto a inteligência cognitiva é a capacidade que o ser humano tem de pensar, aprender, tomar decisões e resolver problemas.

Ambas as coisas demandam flexibilidade, adaptabilidade e análise crítica. Para que ocorra a aprendizagem contínua, a inteligência cognitiva é posta em ação, colocando o cérebro para funcionar, identificar padrões, analisar situações, entre outras funções. Por sua vez, o ato de aprender aumenta o “arsenal” de conteúdos e conhecimentos, tornando a inteligência cognitiva cada vez mais eficaz na resolução de um problema e/ou elaboração de uma ideia.  Uma coisa está intrinsecamente relacionada a outra, ambas se complementam.

Em se tratando de impactos da Inteligência Artificial sobre a inteligência cognitiva, o grande receio de muitas pessoas é que os mecanismos de IA tomem completamente o lugar dos seres humanos, desempenhando tarefas que, antes, demandavam a cognição humana para serem realizadas. 

No entanto, essa é uma realidade que, embora não seja totalmente impossível, parece pouco provável, já que, mesmo sendo uma ótima auxiliar das pessoas em suas funções diárias, a Inteligência Artificial ainda não consegue tomar suas próprias decisões: a base de sua atuação está nas escolhas de um ser humano. 

Mulheres negras sorriem enquanto navegam pelo celular. A esquerda mulher negra de cabelos crespos curtos e escuros, usando blusa laranja e ao seu lado mulher negra, cabelos compridos e trançados em tons de rosa, usa camiseta azul e segura o celular em suas mãos.

Possíveis prejuízos da Inteligência Artificial sobre a cognição humana

Bem, se não é provável que a IA se sobreponha à inteligência cognitiva, então qual é a preocupação de especialistas da área? 

O fato é que a preocupação está nos impactos da Inteligência Artificial no processo de desenvolvimento dessa cognição. Segundo especialistas, boa parte do que mantém o nosso sistema cognitivo saudável e ativo está relacionado à maneira que nós o exercitamos. 

Ou seja, é preciso colocar a mente para trabalhar ao longo do dia, através de leitura, interação, escrita, criação, etc., para que a inteligência cognitiva não fique “atrofiada”. 

No entanto, o que as ferramentas baseadas em Inteligência Artificial — como o famoso Chat GPT — têm nos proporcionado é exatamente o oposto disso. Uma ferramenta que “cria” no lugar de uma pessoa pode deixar o cérebro preguiçoso, prejudicando o processo cognitivo de criação. 

Afinal, se o algoritmo dá conta, por que gastar energia pensando?

Obviamente, essas ferramentas ainda não são perfeitas, portanto, ainda não conseguem substituir 100% o processo de criação humano. Ainda assim, essa é uma discussão que precisa ser levantada quanto antes, dada a velocidade dos atuais avanços tecnológicos.

Diante disso, o principal questionamento que fica é: quais habilidades ainda serão necessárias no futuro? Como estimular a aprendizagem em um mundo cada vez mais automatizado?

Adaptação e possibilidades para os futuros impactos da Inteligência Artificial

Não adianta fugir, é fato que a Inteligência Artificial será uma opção a curto ou a longo prazo para variadas indústrias, já que oferece vantagens em termos de redução de custos, padronização de processos e aumento da produtividade. 

Se para muitos, a IA representa uma possibilidade de melhoria e otimização, para outros ela ainda soa como uma ameaça. Mas não precisa ser assim: diante da mudança, o melhor caminho é a adaptação.

Sendo assim, diante da reformulação das estruturas de trabalho, com máquinas sendo capacitadas para atuarem tão bem quanto pessoas em diversas funções, como profissionais de T&D e lideranças podem motivar seus colaboradores e evidenciar o lado positivo do uso de Inteligência Artificial?

O melhor caminho é conduzir a discussão para um ponto de vista diferenciado, no qual a IA traz para os profissionais novas possibilidades, para posições de trabalho mais estratégicas e menos operacionais. 

A ideia é que, cada vez mais, os profissionais tornem-se lifelong learners, tirando proveito dos avanços tecnológicos para acabar com o dilema de volume versus qualidade de trabalho. É preciso esclarecer aos colaboradores que todo processo que envolve perda de tempo deve ser otimizado, com uma solução que libere os profissionais para trabalharem em resolução de problemas mais complexos. 

É fundamental que as lideranças assumam um papel de difusoras da cultura keep learning em suas organizações, de modo que os impactos da Inteligência Artificial não sejam tidos como negativos, mas como oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional.

Quer desenvolver treinamentos que motivem seus colaboradores e os levem ao próximo nível profissional? Entre em contato e saiba como!

 

2024-02-29T10:20:26-03:00