A inteligência artificial já faz parte da realidade das organizações. Mais do que discutir se a tecnologia será incorporada ao cotidiano, o desafio agora está em compreender como utilizá-la de forma responsável, estratégica e alinhada aos valores humanos.

 Esse foi um dos principais pontos discutidos durante o DOT Connections - On The Road, encontro que reuniu profissionais e lideranças para uma conversa sobre cultura, ética, inteligência artificial, confiança e desenvolvimento de pessoas.

Nesta edição, a comunidade DOT teve a oportunidade de ouvir José Ernesto Bologna, fundador e CEO do Instituto Ethos, em uma reflexão sobre valores e cultura na prática empresarial na era da IA

Ao longo do encontro, uma provocação ganhou destaque: se a IA amplia o acesso ao conhecimento, o que permanece como responsabilidade essencialmente humana?

A resposta passa pelo pensamento crítico, pela ética e, principalmente, pela capacidade de avaliar os impactos das nossas escolhas sobre as relações humanas.

 Confira os principais pontos de reflexão compartilhados por Bologna durante a conversa: 

1. A IA chegou: o desafio é aprender a utilizá-la melhor

Um dos pontos centrais da discussão foi a constatação de que a inteligência artificial não é uma tendência passageira. Ela já está transformando a forma como acessamos informações, trabalhamos e tomamos decisões.

A questão deixa de ser simplesmente aceitar ou rejeitar a tecnologia. O desafio passa a ser entender como utilizá-la da melhor maneira possível.

A IA pode ser vista como uma grande fonte de conhecimento e informação. Mas existe uma diferença fundamental entre ter acesso ao conhecimento e saber o que fazer com ele. É justamente nesse espaço que entra o papel humano: questionar, interpretar, avaliar e decidir.

Como discutido durante o encontro, o conhecimento pode estar disponível na tecnologia, mas o critério para avaliar se determinada aplicação contribui ou prejudica as relações humanas continua sendo uma responsabilidade das pessoas.

2. Ética passa a ser ainda mais importante na era da IA

Se a inteligência artificial consegue produzir respostas, analisar informações e apoiar decisões, surge uma pergunta ainda mais relevante: quem define o que é certo, adequado ou desejável?

Para a discussão apresentada no DOT Connections, essa responsabilidade está relacionada ao chamado criticismo ético: a capacidade de analisar criticamente os efeitos de uma escolha e seus impactos sobre as relações humanas.

Nesse sentido, a sustentabilidade discutida no encontro não se limita a questões ambientais ou econômicas, ela também diz respeito à sustentabilidade das relações.

Isso envolve pensar em aspectos como confiança, bem-estar, respeito, assédio, bullying, remuneração e qualidade do convívio dentro das organizações.

Para as empresas, essa perspectiva amplia a discussão sobre o uso da IA. Não basta perguntar “o que a tecnologia consegue fazer?”. É preciso também perguntar:

“O que devemos fazer com aquilo que a tecnologia consegue fazer?”

Essa diferença será cada vez mais importante para líderes e profissionais de RH.

3. Cultura organizacional acontece entre discurso e prática

Outro ponto importante do encontro foi a relação entre cultura, valores e comportamento.

Cultura não está apenas nos valores escritos em uma apresentação institucional, em um código de conduta ou em uma comunicação interna. Ela também aparece nos comportamentos que se repetem todos os dias e que passam a ser considerados naturais dentro de uma organização.

Por isso, existe uma distância importante entre aquilo que uma empresa diz valorizar e aquilo que efetivamente pratica.

A discussão chamou atenção justamente para essa relação entre palavras e atos: os valores precisam aparecer nas condutas. Quando existe uma ruptura constante entre o que é combinado e o que é praticado, a confiança é afetada.

Para as organizações, isso traz uma reflexão importante: cultura não se transforma apenas por meio de campanhas. Ela muda quando comportamentos, decisões e relações começam a refletir os valores que a empresa afirma defender.

DOT Connections On The Road Rio de Janeiro4. Confiança é um ativo das relações e da cultura

A discussão sobre cultura levou naturalmente a outro tema: confiança. Em ambientes onde as pessoas não confiam umas nas outras, nos líderes ou nas instituições, as relações se tornam mais frágeis e utilitárias.

Por outro lado, quando existe confiança, abre-se espaço para colaboração, realização, bem-estar e relações mais sustentáveis. Durante o encontro, a ética foi apresentada justamente como um elemento fundamental para a construção de relações de confiança.

E existe ainda outro componente nessa equação: coragem.

A confiança não é construída apenas quando temos garantias de que nada dará errado. Ela também exige disposição para confiar, estabelecer vínculos e construir relações de longo prazo.

Para a liderança, essa discussão é especialmente relevante. Em um cenário de mudanças aceleradas, inteligência artificial e novas formas de trabalho, a capacidade de construir confiança pode ser tão importante quanto o domínio das novas tecnologias.

5. Informação não é o mesmo que conhecimento e conhecimento não é sabedoria

A inteligência artificial tornou o acesso à informação mais rápido e amplo. Mas isso não significa, necessariamente, que as pessoas estejam mais preparadas para tomar boas decisões.

Durante o encontro, foi retomada uma distinção importante entre informação, conhecimento e sabedoria.

Informação está relacionada aos dados organizados. Conhecimento envolve a compreensão e aplicação desses dados. Já a sabedoria está relacionada à capacidade de utilizar esse conhecimento a partir de determinados valores.

É nesse ponto que o desenvolvimento de pessoas ganha uma nova dimensão.

Em vez de simplesmente ampliar o volume de conteúdos disponíveis, organizações precisam estimular profissionais capazes de conectar conhecimentos, analisar diferentes perspectivas e desenvolver pensamento crítico.

A discussão também destacou a importância da transversalidade do conhecimento e do estímulo constante à visão crítica. No contexto corporativo, isso significa repensar a forma como treinamos e desenvolvemos pessoas.

O que isso significa para T&D e para as organizações?

As reflexões do DOT Connections mostram que a transformação provocada pela IA não acontece apenas na tecnologia. Ela também exige mudanças na maneira como as organizações desenvolvem pessoas, constroem cultura e exercem liderança.

Se antes o desafio era garantir acesso ao conhecimento, agora surge uma questão complementar: como preparar pessoas para interpretar, questionar e aplicar esse conhecimento com responsabilidade?

Isso exige programas de desenvolvimento que ultrapassem a transmissão de conteúdos e criem oportunidades para:

  • desenvolver pensamento crítico;
  • conectar diferentes áreas do conhecimento;
  • trabalhar tomada de decisão;
  • fortalecer competências relacionais;
  • discutir ética na aplicação da tecnologia;
  • aproximar valores declarados de comportamentos reais;
  • preparar líderes para construir confiança em cenários de transformação.

A inteligência artificial não precisa ser vista como oposição ao desenvolvimento humano, ela pode ampliar possibilidades de aprendizagem e apoiar processos de desenvolvimento - desde que o critério, a ética e a capacidade de julgamento permaneçam nas mãos das pessoas.

O futuro do trabalho também passa pelas relações humanas

O DOT Connections - On The Road deixou uma reflexão importante: quanto mais a tecnologia avança, mais relevante se torna aquilo que não pode ser reduzido à tecnologia.

Conhecimento, informação e automação podem ser potencializados pela IA. Mas ética, confiança, pensamento crítico, relações e capacidade de atribuir sentido às escolhas continuam dependendo das pessoas.

Para as organizações, isso representa um desafio e também uma oportunidade.

O futuro do desenvolvimento de pessoas não está apenas em ensinar novas ferramentas. Está em preparar profissionais e líderes para navegar em um cenário de transformação tecnológica sem perder de vista aquilo que sustenta as organizações: pessoas, relações e valores.

E é justamente nessa interseção entre aprendizagem, tecnologia e desenvolvimento humano que novas estratégias de T&D precisam ser construídas.

 O DOT apoia empresas nessa jornada, combinando tecnologia, inteligência e experiências de aprendizagem para desenvolver pessoas e transformar conhecimento em resultados para o negócio. Conheça nossas soluções e descubra como potencializar sua estratégia de T&D. 

Estrategia-performance