A importância da felicidade no trabalho

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Você sabe dizer o que faz você feliz? Muitas pessoas, diante deste questionamento, responderiam: família, amigos, algum hobby, viajar… Mas, e quanto à felicidade no trabalho? Será que os seus colaboradores sentem-se felizes no ambiente de trabalho?

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Center for Positive Organizational Scholarship, da Universidade da Califórnia, colaboradores felizes são, em média, 31% mais produtivos, três vezes mais criativos e, quando atuam com vendas, conseguem resultados 37% melhores dos que os profissionais desmotivados.

Além disso, quando se sentem satisfeitos, têm desempenho 27% superior aos colegas, 125% menos esgotamento, 32% mais comprometimento e 46% mais satisfação com a função que exercem.

Mas por que ser feliz no trabalho?  

Felicidade no trabalho é um fator extremamente importante para assegurar a qualidade de vida de um indivíduo. Isso porque a grande maioria da população passa cerca de ⅓ do seu dia trabalhando, assim, é essencial encontrar no trabalho uma fonte de satisfação.

Quando os colaboradores estão felizes no trabalho, isso os impulsiona a reverberar essa felicidade também fora do ambiente corporativo: eles são melhores pais, melhores amigos e melhores membros da comunidade.

Um estudo realizado neste ano, pela empresa Quinyx, com trabalhadores de dez países europeus e Estados Unidos, demonstrou que “desfrutar do trabalho” é o fator mais valorizado pelos colaboradores, superando até mesmo a questão salarial.

Assegurar a felicidade dos colaboradores, investindo no capital humano da empresa, é crucial para gerar engajamento, reduzir as taxas de turnover e, também, para contribuir com a construção de uma sociedade melhor, na qual as pessoas são mais felizes e, consequentemente, indivíduos melhores.

A felicidade pode ser mensurada?

De fato, felicidade é algo bastante subjetivo – aquilo que me faz feliz, pode não causar o mesmo efeito em você. Avaliar se as pessoas estão ou não felizes é algo que vai depender de variáveis distintas, de acordo com o contexto. 

O World Happiness Report, lançado anualmente pela Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, é um relatório que se propõe a fazer essa mensuração. Eles avaliam os níveis de felicidade da população de acordo com 6 fatores-chave:

PIB per capita

Apoio social

Expectativa de vida saudável

Liberdade para fazer escolhas de vida

Generosidade 

Erradicação da corrupção

A partir da avaliação desses aspectos, o estudo define quais países podem ser considerados mais ou menos felizes. Obviamente, esses fatores não são indicadores absolutos de felicidade para todas as pessoas, no entanto, podem auxiliar na percepção de um ambiente mais ou menos feliz.

Com base nesse relatório, a partir dos dados, é possível provocar uma maior consciência por parte das empresas, em relação à urgência de encarar a sustentabilidade humana, sob um aspecto amplo e diretamente ligado à performance empresarial. 

A análise vai além da ideia de não provocar frustrações ou oportunizar momentos infelizes: é estar atento à experiência que se quer promover versus a experiência que se está promovendo. 

As experiências positivas são a felicidade, o sorriso ou o riso, o prazer, a sensação de segurança, a sensação de descanso e a sensação de interesse. As seis experiências negativas são a raiva, a preocupação, a tristeza, a depressão, o estresse e a dor.

Na jornada corporativa, é fácil observar esses marcos e onde o coração se partiu, utilizando-se, inclusive, de metodologias como o design thinking, instigando a empresa a adotar uma forma de trabalho mais humana e com uma intensa percepção sobre o outro. É essencial colocar o ser humano (colaborador, cliente, usuário, stakeholders em geral) no foco da solução, com o design centrado no indivíduo de forma empática. 

Mas, afinal, o que causa a felicidade no trabalho? 

Saber como promover um ambiente corporativo promotor de felicidade é, sem dúvidas, um grande desafio para a área de Pessoas & Cultura de qualquer empresa. O primeiro passo é conhecer mais de perto seus colaboradores.

Saber quem, de fato, são as pessoas que trabalham com você é primordial para compreender quais são seus gostos, preferências e afinidades. Essa aproximação pode ser promovida por meio de diversas estratégias, como estudo de personas, canais de comunicação, pesquisas de pulso, people analytics, encontros periódicos online ou presencial, liderança próxima, entre outros.

É importante ressaltar que, quando falamos em felicidade no trabalho, o sentimento é gerado a partir da união de diversos fatores, de modo que colocar em prática uma ação isolada, possivelmente, não surtirá o efeito desejado: é preciso criar uma atmosfera de bem-estar, por meio de um conjunto de iniciativas.

A pesquisa realizada pela Quinyx traz fatores como flexibilidade, orgulho pelo que faz, cultura de equipe, progressão de carreira e remuneração como determinantes para promover a felicidade no ambiente de trabalho. 

Considerando os 6 eixos avaliados pelo relatório World Happiness Report, também podemos imaginar fatores do âmbito corporativo que podem fomentar o aumento da felicidade. Por exemplo:

  • PIB per capita = boa remuneração e proposta de valor aderente às necessidades.
  • Apoio social = empresa humana e comunicação aberta.
  • Expectativa de vida saudável = ambiente amistoso, de respeito à diversidade e inclusão.
    Liberdade para fazer escolhas de vida = flexibilidade e autonomia.
  • Generosidade = cultura de colaboração e troca, compartilhamento de conhecimentos.
  • Erradicação da corrupção = ESG (environmental, social and governance) – com práticas ambientais, sociais e de governança.

Como aumentar os níveis de felicidade no trabalho de seus colaboradores

De acordo com um estudo da Gallup, empresas com funcionários felizes têm 50% menos acidentes laborais. Já uma pesquisa da Harvard Business Review revelou que colaboradores satisfeitos são 31% mais produtivos, 85% mais eficientes e 300% mais inovadores. 

O aumento da felicidade no trabalho é a combinação de diversos fatores e pensá-los de uma maneira generalizada, focando na experiência do profissional, é o que o impulsionará para uma melhor performance. A seguir, alguns exemplos:

  • Nutrir o sentimento de orgulho

Isso pode ser feito com o reconhecimento das contribuições do colaborador para a empresa, por meio de feedbacks positivos que evidenciem a importância do trabalho e o impacto positivo que essa pessoa causa em seus colegas, clientes e sociedade, além da oportunidade de progressão de carreira. É vivenciar o propósito da empresa e buscar convergir com o propósito de vida de quem nela trabalha. 

  • Oportunizar um ambiente de crescimento

Oferecer a formação e educação continuada aos colaboradores é fundamental, pois promove o sentimento de valorização, prepara o profissional para lidar com os desafios do negócio e aumenta o engajamento.

  • Oferecer flexibilidade 

É importante que os colaboradores sintam que podem adequar a jornada de trabalho quando necessário e fomentar a autogestão é uma forma de conceder maior autonomia aos colaboradores. Claro que, para que a autogestão funcione, todos devem estar alinhados em relação ao que é esperado e focar nos resultados. 

Como consequência, isso estimula a criatividade e a inovação, aspectos considerados fundamentais para o sucesso de qualquer negócio.

  • Construir um ambiente de troca e diálogo aberto

Ter uma escuta ativa, onde os colaboradores possam dar feedbacks com foco em desenvolvimento, sentindo-se capazes de conversar e contribuir com a resolução dos problemas é essencial para a promoção de um ambiente de trabalho feliz.

Porém, quando se fala em felicidade no trabalho, algumas pessoas pensam em uma positividade tóxica, algo utópico, com o intuito de se fazer apenas o que se gosta e/ou estar alegre o tempo todo. Não se trata disso

É sobre, ao final do dia, o profissional ser capaz de entender o impacto que o seu trabalho causa no mundo e se orgulhar disso. Dessa forma, possivelmente, abstrairá os momentos de desconforto e encontrará um real motivo para sorrir.

Com atitudes como as sugeridas, fundamentadas em pesquisas, certamente estaremos contribuindo não só para a construção de ambientes corporativos mais felizes, como também para uma sociedade melhor. 

 

Por Ana Paula B. Lehmkuhl, Chief Human Resources Officer (CHRO) no DOT Digital Group

2022-10-21T13:50:19-03:00