Durante muito tempo, falar em treinamento corporativo significava falar principalmente em cursos: a empresa identificava uma competência, escolhia um conteúdo, organizava uma turma e acompanhava indicadores como participação e conclusão.
Esse modelo continua tendo seu papel, mas a própria evolução das organizações mudou a pergunta. Hoje, não basta saber quantos treinamentos foram realizados, é preciso entender o que acontece depois.
As pessoas conseguem aplicar o que aprenderam? O conteúdo conversa com os desafios da função? Existe espaço para praticar? A aprendizagem continua depois do curso?
A 1ª Pesquisa de Maturidade da Aprendizagem no Brasil, realizada pelo DOT Digital Group, ajuda a dimensionar esse desafio.
O treinamento ainda é importante
A pesquisa mostra que a aprendizagem formal é reconhecida por 78,5% dos respondentes. Isso significa que cursos, programas estruturados e outras experiências formais continuam ocupando um lugar importante na educação corporativa.
O ponto não é abandonar o treinamento, é evitar que ele seja tratado como sinônimo de toda a experiência de aprendizagem. Além da aprendizagem formal, 71,7% reconhecem a aprendizagem prática, 56,7% a social e 40,7% a aprendizagem no fluxo do trabalho.
Cada formato cumpre uma função diferente. O curso pode organizar conceitos e criar uma linguagem comum. A prática transforma conhecimento em competência. A aprendizagem social permite trocar experiências. E a aprendizagem no fluxo aproxima o conhecimento do momento em que um problema precisa ser resolvido.
O problema começa quando o curso fica isolado
A pesquisa encontrou uma diferença importante entre profissionais que percebem essas quatro formas de aprendizagem combinadas e os demais.
O primeiro grupo apresenta IMA de 68,4 pontos. Entre os demais, o índice fica em 53,8. O impacto operacional também é maior no grupo que combina as diferentes experiências. O resultado sugere que maturidade não está em escolher um formato vencedor, mas em criar um ecossistema de aprendizagem.
Uma empresa pode ter centenas de cursos disponíveis e ainda assim não conseguir conectar esse conteúdo às situações reais de trabalho. Por isso, o desafio não é necessariamente aumentar o catálogo e, sim, fazer o catálogo conversar com o restante da experiência.
O que acontece depois do treinamento?
Um dos pontos centrais da pesquisa é a distância entre aprender e aplicar. Quando a aprendizagem é percebida como relevante para a função, 87,4% dos profissionais afirmam ter aplicado algo recentemente. Entre os demais, esse percentual cai para 38,2%. Isso ajuda a mudar a forma de avaliar o treinamento.
Conclusão de curso é uma informação importante sobre alcance e operação, mas não responde sozinha se houve aplicação. A pesquisa indica que a aplicação está associada à conexão com a função, ao direcionamento do desenvolvimento e ao espaço concreto para colocar o aprendizado em prática.
Treinamento precisa conversar com o trabalho
Um dos riscos de uma estratégia baseada apenas em cursos é criar uma experiência desconectada da rotina.
O profissional participa do treinamento em um momento. Depois volta para uma agenda cheia, com metas, processos e prioridades que nem sempre criam oportunidades para usar o novo conhecimento.
É por isso que o contexto importa. Quanto mais clara for a relação entre aquilo que está sendo aprendido e aquilo que a pessoa precisa realizar, maior a possibilidade de que o conhecimento ganhe utilidade.
E onde entra a tecnologia?
A tecnologia amplia o acesso, mas também precisa avançar em relevância. Na pesquisa, Tecnologia e Ecossistema apresenta IMA de 62,5 e aparece como um dos pilares mais consolidados. O estudo, porém, identifica uma diferença entre facilidade de uso e utilidade percebida.
Uma plataforma fácil de navegar não necessariamente é uma plataforma que ajuda uma pessoa a resolver seu desafio de aprendizagem. Por isso, a tecnologia precisa ajudar a responder perguntas como:
- O que essa pessoa precisa aprender?
- Por que isso é relevante para sua função?
- Qual é o melhor momento?
- Como ela pode praticar?
- Como aplicar esse conhecimento?
O treinamento como parte de um ecossistema
O futuro do treinamento corporativo não precisa ser “sem cursos”, é justamente o contrário. O curso pode continuar sendo uma das peças mais importantes - desde que deixe de funcionar sozinho. Um ecossistema mais completo pode combinar:
conteúdo + prática + interação social + aprendizagem no fluxo + acompanhamento + aplicação.
O relatório mostra que a aprendizagem formal continua sendo reconhecida por uma parcela expressiva dos profissionais. A questão é o que acontece ao redor dela.
Mais do que contabilizar cursos oferecidos ou horas de treinamento, é preciso olhar para o que acontece depois da experiência de aprendizagem. É na rotina, diante dos desafios reais do trabalho, que o conhecimento precisa ser colocado em prática, ganhar contexto e contribuir para o desenvolvimento das pessoas e para os resultados do negócio. Participar de um treinamento é apenas uma etapa da jornada. O verdadeiro valor da aprendizagem aparece quando aquilo que foi aprendido passa a fazer parte da forma como o trabalho é realizado.
Os dados da 1ª Pesquisa de Maturidade da Aprendizagem no Brasil, realizada pelo DOT Digital Group, ajudam a entender, pelo olhar dos colaboradores, como as empresas estão criando - ou deixando de criar - as condições para que isso aconteça. Baixe o relatório completo e confira os principais dados, desafios e oportunidades para tornar a aprendizagem mais conectada à realidade do negócio.

