Durante anos, ampliar a oferta foi uma das principais formas de fortalecer a aprendizagem corporativa. Mais cursos, plataformas, trilhas, conteúdos e programas significavam mais oportunidades para desenvolver pessoas. Mas existe uma pergunta anterior a essa: as pessoas conseguem aprender quando precisam?

Essa diferença entre ter uma oferta de aprendizagem e conseguir incorporá-la ao trabalho aparece como um dos principais desafios identificados pela 1ª Pesquisa de Maturidade da Aprendizagem no Brasil, realizada pelo DOT Digital Group.

O estudo ouviu 1.088 colaboradores de 154 empresas de grande porte, com mais de 1.000 funcionários, de todas as regiões do país. Os respondentes ocupavam posições que iam do estágio à diretoria, e metade atuava em modelos híbridos ou remotos.

O resultado mostra que a infraestrutura já existe em muitas organizações. O desafio está em fazer essa infraestrutura chegar à rotina.

Ter acesso não significa aprender no momento certo

Entre os respondentes, 76,1% reconhecem a existência de ferramentas e plataformas de aprendizagem em suas organizações. O número indica que o acesso aos recursos digitais já faz parte da experiência de uma parcela significativa dos profissionais.

Quando a pergunta muda de disponibilidade para integração ao trabalho, porém, o cenário muda: apenas 40,7% reconhecem a aprendizagem integrada ao fluxo do trabalho.

A diferença ajuda a explicar uma mudança importante na discussão sobre educação corporativa. Não basta perguntar “Quais conteúdos a empresa oferece?”, é preciso perguntar:

“O que a pessoa consegue aprender, no momento em que precisa, para resolver o problema que está diante dela?”

Essa mudança aproxima a aprendizagem da realidade do trabalho.

O que é aprendizagem no fluxo do trabalho?

Aprendizagem no fluxo do trabalho acontece quando o desenvolvimento deixa de ser uma atividade completamente separada da rotina e passa a estar disponível próximo do momento em que o conhecimento é necessário.

Isso pode significar diferentes experiências: acessar uma informação para resolver uma tarefa, receber uma recomendação de conteúdo diante de uma necessidade, consultar um especialista, trocar experiências com colegas ou praticar uma competência em uma situação próxima daquela que será enfrentada no trabalho.

O ponto central é tirar a aprendizagem do isolamento.

A pesquisa mostra justamente que a aprendizagem formal continua relevante: 78,5% dos respondentes reconhecem esse formato. A aprendizagem prática aparece para 71,7%, a social para 56,7% e a aprendizagem no fluxo do trabalho para 40,7%.

O dado mais interessante aparece quando essas experiências são combinadas. Entre os profissionais que percebem simultaneamente aprendizagem formal, social, prática e no fluxo do trabalho, o Índice de Maturidade da Aprendizagem (IMA) chega a 68,4 pontos. Entre os demais, fica em 53,8.

Ou seja, o desafio não é escolher entre curso, prática, interação social ou aprendizagem no fluxo, mas criar um ecossistema em que essas experiências se complementem.

Aprender também precisa caber na agenda

Outro ponto importante é o tempo. Apenas 53,5% dos respondentes reconhecem que a empresa oferece tempo para aprender. Quando a responsabilidade passa para a rotina individual, 49,5% dizem manter um hábito semanal de aprendizagem.

Isso coloca um limite para uma ideia bastante difundida na educação corporativa: a de que a aprendizagem contínua depende apenas do protagonismo do profissional. Protagonismo importa, mas ele precisa encontrar espaço organizacional.

Se aprender precisa disputar atenção com reuniões, metas, entregas e urgências, a aprendizagem tende a permanecer como uma atividade paralela, mesmo quando existe uma boa plataforma e um catálogo amplo de conteúdos.

Por isso, criar uma cultura de aprendizagem também envolve rever a forma como o trabalho cria espaço para aprender.

Da plataforma para a experiência

A tecnologia continua tendo um papel importante nesse processo, mas a pesquisa indica que a discussão tecnológica precisa avançar.

Tecnologia e Ecossistema é o segundo pilar mais consolidado da pesquisa, com IMA de 62,5. O acesso à infraestrutura já aparece relativamente bem estabelecido, o desafio está em transformar disponibilidade em relevância e aplicação.

Uma plataforma pode ser fácil de navegar e ainda assim não responder à necessidade de quem está aprendendo. Por isso, a próxima geração de experiências digitais de aprendizagem precisa considerar não apenas onde está o conteúdo, mas também qual conteúdo faz sentido, para quem, em qual momento e diante de qual necessidade.

O próximo passo da educação corporativa

A 1ª Pesquisa de Maturidade da Aprendizagem no Brasil mostra um movimento importante: as organizações já construíram uma base de recursos para desenvolver pessoas. Agora, o desafio é conectar esses recursos ao cotidiano.

Isso significa aproximar:

  • aprendizagem e trabalho;
  • desenvolvimento e carreira;
  • conteúdo e contexto;
  • conhecimento e prática;
  • tecnologia e relevância.

A maturidade da aprendizagem não está apenas no quanto uma empresa oferece, mas no que acontece depois que a pessoa aprende.

O conhecimento chega ao trabalho? Encontra espaço para ser colocado em prática? Ajuda alguém a tomar uma decisão, resolver um problema ou fazer melhor aquilo que já faz?

É nessa passagem que a aprendizagem ganha valor de verdade. Mais do que ampliar a oferta de cursos e conteúdos, é preciso criar as condições para que aprender faça parte da rotina e esteja conectado ao que as pessoas e o negócio precisam.

Quer entender como as empresas brasileiras estão vivendo essa jornada?

Acesse a 1ª Pesquisa de Maturidade da Aprendizagem no Brasil e confira os dados completos, a metodologia e os principais insights do estudo realizado pelo DOT Digital Group.

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