Quer aprender de verdade sobre gamification?

Tempo de leitura: 4 minutos

 

Atualmente, muito tem se falado sobre o conceito de gamification e seus benefícios. Contudo, apesar do termo moderno, essa não é uma prática nova. 

Na verdade, antes mesmo de a civilização industrial se estabelecer, o marketing já testava diversas formas de inspirar lealdade nos clientes – e é exatamente isso que objetiva a gamificação.

O conceito, que foi extraído dos jogos eletrônicos, utiliza-se de um senso de recompensa e conquista para incentivar alguém a tomar uma ação desejada. Então, a estratégia é baseada em uma mistura de competição, recompensa e diversão, e pode ser usada em aplicativos, treinamento corporativo, ações de marketing, no comércio, entre outros.  

Os princípios da gamification

De acordo com Kevin Webach,  gamification – em português, gamificação –  trata-se de uma estratégia para tornar produtos e serviços envolventes – como os jogos -, através do aumento da motivação de seus usuários. O especialista explica, ainda, que o conceito de  gamification também está relacionado à performance, motivação e mudança comportamental.

Conforme conteúdo disponibilizado em um curso de Werbach, oferecido pela Universidade da Pensilvânia, a gamificação conta com três princípios fundamentais:

  • Mecânicas: são as regras, as ações que os jogadores têm ao seu dispor para influenciar o jogo;
  • Dinâmica: é, basicamente, como o jogador interage com o meio;
  • Game Elements: são os elementos que compõem um jogo, como pontos, conquistas, prêmios, etc.

A gamificação não é, necessariamente, um jogo. No entanto, isso não significa que ambos estejam dissociados. 

A fim de projetar uma boa estratégia de gamification, muitas vezes, é necessário pensar como um game designer. Por exemplo, é fundamental pesquisar qual é o tipo de motivação que está por trás de cada elemento, mecânica e dinâmica do jogo.

Diferentes estratégias de gamification para diferentes perfis de jogadores

Compreender quais são os diferentes perfis de jogadores que podem ser contemplados em uma estratégia de gamification é crucial. Em outras palavras, é o perfil do jogador que irá determinar quais elementos de gamificação são relevantes para um público-alvo específico.

O pesquisador Richard Bartle alega que existem diferentes tipos de jogadores, e os separa em 4 categorias, que são: 

  • O Conquistador 

É aquele jogador que só quer saber de pontos e status;

  • O Explorador 

Aquele que gosta de descobrir novas áreas do jogo (mesmo quando isso envolve tarefas repetitivas);

  • O Socializador 

Esse tipo é o que gosta de interagir com os outros jogadores e, inclusive, gosta de trabalhar de forma colaborativa;

  • O Matador 

Também se importa muito com pontos e status, porém, esse tipo gosta de ver outras pessoas perderem – é altamente competitivo.

A imagem contêm uma mulher branca, sorrindo, com camisa amarela, e fones de ouvido. Em frente ao seu notebook em um ambiente que remete um escritório de trabalho, seguida da frase, conheça as melhores soluções digitais em educação corporativa digital, saiba mais.

Todavia, recentemente surgiu uma versão estendida do modelo de Bartle, desenvolvida por  Andrzej Marczewski, que descreve 6 categorias, sendo elas: 

  • O Jogador (também conhecido como “O que eu ganho com isso?”): Ofereça-lhes algum tipo de recompensa e você verá resultados.
  • O Filantropo (também conhecido como “O líder”): Quando eles estão ajudando e ensinando os outros, eles são os mais motivados.
  • O Espírito Livre (também conhecido como “O resolvedor de problemas”): Esse tipo adora explorar e ver o que todo mundo está fazendo. Dê-lhes espaço, liberdade e estimule sua criatividade.
  • O Conquistador (também conhecido como “O grande empreendedor”): Este tipo de jogador quer atingir seu máximo em todos os momentos. Ele pega uma tarefa e a ataca de frente, podendo ser competitivo e ajudando a impulsionar os grupos em dificuldades. 
  • O Socializador (também conhecido como “O que trabalha bem em equipe”): Este jogador gosta de conversar com todos. Adora trabalhar em grupo e se alguém precisar de algo, ele estará lá para ajudar.
  • O Disruptor (também conhecido como “O brincalhão”): Gosta de atrair a atenção daqueles que o rodeiam. É crucial envolvê-lo com algum tipo de jogador adequado, como um conquistador ou um filantropo, para mantê-lo focado e avançando.

Erros e acertos em gamification

Embora seja uma estratégia muito interessante,  é preciso usar a gamificação com sabedoria – assim como qualquer outro recurso a ser implementado em uma organização.

Mesmo a melhor estratégia de gamification, quando utilizada da forma errada, pode trazer resultados desastrosos.

Sobretudo, uma boa prática ao desenvolver uma estratégia de gamification, por exemplo, é levar em consideração que o jogo precisa ser de soma positiva – ou seja, todos os participantes devem sair ganhando algo com a experiência. Ao criar uma gamificação apenas com o intuito de satisfazer a si mesmo, é possível  que os envolvidos se sintam manipulados e usados, fazendo com que pulem fora do jogo na primeira oportunidade. Além disso, outro erro comum é uma mecânica que atribui pontos e recompensas de maneira desmedida e excessiva, pois isso faz  com que o jogo se torne trivial.

Confira alguns DOs (o que fazer) e DON’Ts (o que não fazer) quando o assunto é gamification:

DO ✅

DON’T

  • Regras claras
  • Dinâmicas condizentes com a rotina dos colaboradores
  • Missões bem pensadas
  • Recompensas reais
  • Storytelling para manter foco
  • Acelerar ciclos de feedbacks
  • Metas desinteressantes e/ou inatingíveis
  • Dinâmicas competitivas demais
  • Reproduzir apenas o interesse dos criadores
  • Não oferecer benefícios aos envolvidos

Aplicação de gamification no ambiente corporativo

Sem dúvidas, a gamificação impulsiona o compromisso e, consequentemente, influencia nos resultados comerciais. Afinal, profissionais engajados promovem um ambiente corporativo mais produtivo em todos os aspectos.

Sendo assim, o valor comercial da gamificação é altíssimo, já que os resultados são visíveis em todas as pontas da empresa. Alguns fatores que podem ser melhorados em uma empresa através do uso de uma estratégia de gamification são:

  • Produtividade
  • Melhoria de eficiência 
  • Contratação
  • Treinamentos
  • Onboarding 
  • Feedback 
  • Cidadania corporativa

Gamification para alavancar a Educação Corporativa

Por explorar alguns instintos básicos do ser humano, a gamificação se mostra muito efetiva no contexto educacional, facilitando sua inclusão no mundo da capacitação corporativa. O envolvimento e participação das pessoas na sua iniciativa educacional ajuda a potencializar a interação com seu negócio, produtos, serviços e sua marca. 

Assim, com essa técnica, é possível criar marcos de conteúdo, que viram dados para a gestão. Por exemplo, é possível observar em quais pontos do conteúdo o colaborador passa mais tempo, ou quais atividades despertam maior interesse, mapeando, assim, pontos fortes do time. 

Dessa forma, os dados identificados por meio de elementos e marcos de gamificação, podem ser transformados em OKRs baseados em dados, relacionados à inovação, otimização de processos ou outros gaps.

Para saber mais sobre a estratégia de gamificação e como aplicá-la em seu programa de T&D, entre em contato com um de nossos especialistas!

Leia também:

>>Importância da Capacitação Corporativa no desafio da Telefarmácia

>>Gestão de conhecimento na educação corporativa

>>Geração Beta e a aprendizagem do futuro: Saiba como aprendem as diferentes gerações

2022-09-28T16:31:04-03:00