Quando uma nova tecnologia surge, é comum que a atenção se concentre em preparar quem está entrando no mercado. No caso da inteligência artificial, os dados da 1ª Pesquisa de Maturidade da Aprendizagem no Brasil apontam para outra direção.
A necessidade percebida de desenvolver competências relacionadas à IA cresce com a senioridade. Entre profissionais experientes e líderes, a inteligência artificial é mencionada como competência desejada por quase metade dos respondentes - mais que o dobro da frequência observada no início da carreira.
O dado muda uma parte importante da conversa sobre educação corporativa.
IA não é apenas uma competência para quem está chegando
A discussão sobre capacitação em inteligência artificial muitas vezes parte da necessidade de preparar novos profissionais, mas quem já está dentro das organizações também precisa atualizar seu repertório.
E existe uma razão prática para isso. Profissionais mais experientes concentram conhecimento sobre processos, clientes, decisões e funcionamento das organizações. Ao mesmo tempo, estão cada vez mais expostos a processos que podem ser transformados pela inteligência artificial.
Isso cria uma necessidade específica: aprender a incorporar novas tecnologias sem começar a carreira profissional do zero.
A senioridade muda o tipo de aprendizagem necessária
A necessidade de desenvolver IA não aparece isoladamente. À medida que profissionais avançam na carreira, mudam também suas responsabilidades e os contextos em que precisam aplicar o conhecimento.
Para quem está começando, aprender uma nova tecnologia pode fazer parte da construção do repertório profissional. Para quem já ocupa posições mais experientes, a aprendizagem pode envolver uma camada adicional: compreender como incorporar a tecnologia a processos, decisões e responsabilidades que já existem.
Por isso, uma estratégia de educação corporativa para IA não pode ser igual para todos.
Capacitação em IA precisa considerar contexto
A pesquisa mostra que maturidade em aprendizagem está relacionada à conexão entre desenvolvimento e trabalho.
Quando a aprendizagem é percebida como relevante para a função, 87,4% dos profissionais afirmam ter aplicado algo recentemente. Entre os demais, esse percentual cai para 38,2%.
O dado ajuda a pensar também sobre capacitação em IA, pois não basta ensinar ferramentas, é preciso responder:
- Como a IA se relaciona com essa função?
- Quais atividades podem ser transformadas?
- Quais competências precisam ser desenvolvidas?
- Como praticar o uso da tecnologia?
- Como avaliar sua aplicação?
Quanto mais distante estiver o treinamento dos desafios reais, maior será a dificuldade de transformar conhecimento em capacidade aplicada.
O papel da tecnologia na própria aprendizagem
A inteligência artificial também pode mudar a forma como as pessoas aprendem. A pesquisa mostra que Tecnologia e Ecossistema é um dos pilares mais consolidados, com Índice de Maturidade da Aprendizagem (IMA) de 62,5. Ao mesmo tempo, o estudo identifica que facilidade de uso não é sinônimo de utilidade para aprender.
Isso aponta para uma evolução importante. A tecnologia de aprendizagem não precisa apenas disponibilizar conteúdos. Ela pode ajudar a identificar necessidades, recomendar experiências e aproximar o conhecimento do momento em que ele é necessário.
IA exige aprendizagem para diferentes momentos da carreira
Se a necessidade de desenvolver IA cresce com a senioridade, a estratégia de educação corporativa precisa acompanhar diferentes momentos profissionais.
Para quem está começando: construção de repertório e familiaridade.
Para quem está no meio da carreira: atualização de competências e integração da IA ao conhecimento já acumulado.
Para quem lidera: aplicação da tecnologia em decisões, processos, equipes e estratégia.
Essas não são categorias fechadas, mas ajudam a lembrar que a mesma tecnologia pode gerar necessidades de aprendizagem diferentes.
O desafio é transformar IA em capacidade
A discussão sobre inteligência artificial nas empresas não termina quando o profissional aprende a usar uma ferramenta. O objetivo da educação corporativa é mais amplo: desenvolver capacidade para utilizar a tecnologia de forma relevante e aplicada.
A pesquisa mostra que a maturidade da aprendizagem depende justamente da conexão entre estratégia, liderança, tempo, personalização, tecnologia e aplicação.
Por isso, preparar pessoas para a IA significa criar experiências que considerem o momento profissional, a função e os desafios reais de cada público.
Os dados da 1ª Pesquisa de Maturidade da Aprendizagem no Brasil, realizada pelo DOT Digital Group, ajudam a entender, pelo olhar dos colaboradores, como as empresas estão criando - ou deixando de criar - as condições para que isso aconteça. Baixe o relatório completo e confira os principais dados, desafios e oportunidades para tornar a aprendizagem mais conectada à realidade do negócio.
