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O impacto do ESG no Mercado Financeiro

Escrito por Redação DOT | 08/11/2022 18:34:36

Já falamos aqui no blog sobre a agenda ESG e sua crescente importância no contexto atual. Mas você sabe qual é o real impacto do ESG no mercado financeiro?

Acompanhe a leitura e descubra!

Relembrando o termo ESG 

Caso você ainda não tenha ouvido falar ou não se recorde, vamos recapitular do que se trata o termo. ESG é a sigla para Environment, Social and Governance - em português, meio ambiente, social e governança.

A agenda ESG trata de implementar dentro das organizações práticas que contemplem a preocupação com esses três pilares. Desse modo, a atuação das empresas torna-se cada vez mais engajada com questões de sustentabilidade, impacto social, transparência de dados e boas práticas administrativas.

 

Surgimento do ESG no mercado financeiro

Embora esteja muito em alta nos últimos tempos, a pauta ESG não é tão nova quanto parece. Inclusive, ela já vem passando por um período de amadurecimento há décadas. 

Estima-se que os primeiros fundos com características ESG surgiram já na década de 1970, na Europa e nos EUA. No Brasil, o movimento começou um pouco mais tarde, por volta dos anos  2000.

O primeiro fundo de ações com foco em ESG foi o fundo Ethical, no início do novo milênio. 

O termo em si, foi definido em 2004, quando surgia o Pacto Global das Nações Unidas (ONU) e uma carta foi enviada a 55 das principais instituições financeiras do mundo, incluindo o Banco do Brasil. A carta as convidava a olhar para questões ligadas ao ESG na gestão de seus ativos. Depois disso, o tema foi ganhando cada vez mais relevância e, gradativamente, tornou-se parte das discussões do Fórum Econômico Mundial.

Em finanças, o atual debate versa sobre o compromisso para os investidores de varejo e, também, a implementação de regulações que tornem os princípios cada vez mais mensuráveis. 

 

Qual é a relevância do ESG no mercado financeiro?

Atualmente, diante de uma mudança de postura da sociedade, com uma maior cobrança de atitudes alinhadas às pautas ESG, não é mais possível analisar investimentos só com métricas tradicionais. As organizações causam impacto e são impactadas por questões climáticas, sustentabilidade, causas sociais, etc. Por isso, é crucial que as empresas estejam atentas a essas e outras questões pertinentes.

Para Fabio Alperowitch, cofundador e gestor da FAMA Investimentos, a popularização exponencial do ESG no mercado financeiro se dá através de três grandes movimentos: “O primeiro é a mudança do capitalismo shareholder, que é aquele em que as empresas se importavam apenas com seus próprios lucros, para um capitalismo stakeholder, mais inclusivo. O segundo é um processo de mudança geracional – a geração Z se importa com questões que as gerações anteriores não se importavam, como direitos humanos, meio ambiente, crueldade animal, etc. O terceiro é questão de urgência da mudança climática, que direciona as atenções para alguns temas e exige mudanças regulatórias.” 

Pensando em Governança, o G da sigla, o impacto é muito óbvio. É natural que qualquer investidor prefira alocar seus recursos em uma empresa que preza por transparência, boa gestão e metas estratégicas bem definidas.

Em termos de Meio Ambiente - o “E” - as políticas avançam de forma mais lenta, impulsionadas por iniciativas da ONU ao longo das últimas décadas. O que resulta no mercado financeiro perpetrado pelo Pacto Global em 2004. 

Por fim, o “S” representando as questões de âmbito Social, tem se mostrado o grande desafio do momento para o ESG no mercado financeiro. Katerina Trostmann, chefe de sustentabilidade do banco francês BNP Paribas, acredita que com a pandemia o atraso das empresas em termos de práticas sociais ficou escancarado: “Realmente trouxe essa atenção para o S. Mostrou como as questões que cabem dentro do S estão atrasadas, como saúde, pobreza, acesso ao saneamento, bem-estar das pessoas, saúde mental”, alega.

 

Desafios ESG para o setor financeiro

No momento, um dos maiores desafios apontado por especialistas em ESG no mercado financeiro é a imaturidade dos investidores e a falta de conhecimento sobre o tema

Um exemplo citado por Fabio Alperowitch é a falta de compreensão sobre selos de sustentabilidade. Segundo ele, os Princípios do Investimento Responsável (PRI), por exemplo, é algo frequentemente confundido por investidores.

Por vezes, investidores encaram o selo PRI como um sinal de práticas ESG, quando na verdade trata-se apenas de um selo autodeclaratório. Sendo assim, não serve como uma comprovação dos princípios de fato. O gestor ainda explica que o Brasil está bastante atrasado no amadurecimento do mercado ESG, contando com um debate superficial, raso e "quase que monotemático". 

 

4 dicas para avançar na agenda ESG no mercado financeiro

  • Fuja do Greenwashing

De acordo com estudo da empresa Market Analysis, 8 em cada 10 empresas brasileiras se envolvem em greenwashing. O termo pode ser traduzido como "lavagem verde", ou ainda "maquiagem verde". 

A prática refere-se a uma estratégia de promoção de propagandas sustentáveis enganosas, adotada por empresas que querem parecer engajadas com questões de sustentabilidade, quando na verdade não aplicam o conceito na prática. Além de imoral, é uma estratégia que pode causar um problema de imagem e de credibilidade para as organizações e, portanto, deve ser evitada.

 

  • Direcione corretamente os esforços

Embora os três pilares do ESG sejam importantes, é fundamental analisar qual deles é mais material na sua empresa, de acordo com o segmento de negócio. Isso permitirá o desenvolvimento de uma estratégia assertiva. Empresas de diferentes setores  têm diferentes pontos fortes e fracos em ESG, e entender em qual aspecto a sua empresa deve focar os esforços é fundamental para gerar diferenciação estratégica e ganhos financeiros no longo prazo.

 

  •  Encare o ESG como alavanca para o seu negócio

Atualmente, o ESG no mercado financeiro não é visto somente como boa prática, é algo crucial. Assim, é essencial que as organizações financeiras parem de encarar o investimento em políticas ESG como algo preventivo e comecem a enxergá-lo como vantagem competitiva, investindo em estratégias inovadoras e em abordagens mais complexas, difíceis de imitar e que gerem ganhos no longo prazo.

 

  • Capacite suas lideranças

Por fim, é primordial garantir o engajamento da alta liderança na promoção dos pilares ESG no mercado financeiro. Para isso, é importante preparar os CEOs, diretores e gestores da empresa, para que a pauta seja vista como prioridade por todos os colaboradores. É necessário  que haja metas, estratégias e metodologias definidas pela alta liderança acerca do tema. 

Um programa de Educação Corporativa Digital é uma alternativa eficaz para desenvolver algumas das competências necessárias para essas lideranças, como visão sistêmica das políticas ESG, domínio de conceitos relacionados - como capitalismo de stakeholder, materialidade e economia de baixo carbono, além de soft skills para tratar do tema com todas as partes envolvidas.

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