A agenda ESG vem ganhando cada vez mais espaço nas empresas dos mais variados segmentos. Com o aumento da discussão sobre temas importantes, como aquecimento global, inclusão, diversidade e responsabilidade social, é essencial que as organizações se posicionem e assumam sua responsabilidade perante a sociedade, investindo em políticas ESG.
Para que possamos compreender o funcionamento desses princípios dentro de uma empresa, na prática, conversamos com uma das instituições pioneiras no assunto.
Heloisa Torres, Supervisora Socioambiental na Amaggi, bateu um papo sobre ESG com a nossa Especialista em Comunicação, Alexandra Oliveira. Na ocasião, ela explicou um pouco sobre o funcionamento das práticas ESG dentro da Amaggi, uma gigante do agronegócio.
A Amaggi é uma empresa brasileira, com mais de 40 anos de existência. Atua nas áreas de agricultura, logística e operações, commodities e energia.
A empresa conta com diversas certificações socioambientais, como ISO 14001, RTRS – Round Table On Responsible Soy, BCI – Better Cotton Initiative, ProTerra Standard, além de seu próprio padrão de certificação, o AMAGGI Responsible Standard (A.R.S.). Sua atuação ocorre em concordância com várias políticas e compromissos de responsabilidade socioambiental, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, entre outros.
Sendo uma das maiores empresas de commodities da América Latina, a Amaggi tem como principal objetivo a promoção do desenvolvimento sustentável através do aperfeiçoamento do agronegócio e da expansão do comércio internacional.
De acordo com Heloisa, a pauta ESG não é nova: o mercado já abordava o assunto desde 2004. No entanto, após 2021, o termo ganhou mais força, após a carta do presidente da BlackRock. Desde então, o tema se tornou uma tendência, na qual o ESG virou um critério de investimento.
Foi a partir do mercado financeiro que iniciou-se uma cobrança mais parametrizada de políticas ESG dentro das empresas. Maior transparência, uso de métricas e de indicadores são alguns parâmetros requeridos. Assim, as empresas que antes não estavam dedicadas a essa agenda, agora estão tendo que correr atrás.
Hoje, em substituição, passou-se a adotar o termo ESG, que abrange um terreno mais amplo e, assim, dita uma tendência crescente que pressiona mais organizações a aderirem aos princípios ambientais, sociais e de governança.
Heloisa explica que no setor do agronegócio, a pauta em geral já era muito forte. No entanto, ainda havia uma cobrança maior no que diz respeito ao desmatamento - já que essa é uma das maiores preocupações do setor em relação ao meio ambiente.
Com a chegada do conceito de ESG, percebeu-se um movimento também direcionado aos outros aspectos ambientais, além da questão do desmatamento zero.
Surge uma preocupação maior com o monitoramento da biodiversidade, questões de mudanças climáticas, temas relacionados aos direitos humanos, além de fortes demandas em governança e transparência.
Anteriormente, muitas empresas do setor agro de capital fechado não investiam em relatos de sustentabilidade - enquanto a Amaggi já trabalhava com a transparência de dados sobre o assunto muito antes da popularização do ESG. Fator que, agora, faz com que outras empresas do setor vejam a Amaggi como referência no assunto e, inclusive, entrem em contato, em busca de maiores orientações.
De acordo com Heloisa, nos últimos tempos a cobrança aumentou, especialmente por parte do mercado europeu, que representa a maior clientela atual da Amaggi. Pautas como desmatamento zero, rastreabilidade da cadeia, direitos humanos, mudanças climáticas e monitoramento da biodiversidade são os mais cobrados pelos clientes do setor agro.
Em se tratando de Brasil, observa-se um movimento maior de cobrança por parte do setor bancário, com análises de risco mais criteriosas para a concessão de crédito, requisitando maiores detalhes sobre as políticas ESG, além de evidências de certificação.
A supervisora alega que, atualmente, o grande diferencial é o pedido de comprovação dos dados. Somente a palavra da empresa, no que diz respeito à agenda ESG, não é mais suficiente: cada vez mais, clientes e bancos querem evidências das ações realizadas pelas organizações.
Nesse sentido, para atender essa demanda, a Amaggi implantou, no ano passado, um sistema de gestão de indicadores ESG. A ideia é otimizar a gestão do grande volume de informações sobre o tema.
Dentre outras, a profissional destaca duas grandes metas da Amaggi, divulgadas em 2021 através da live Embrace the Future - evento realizado para publicar as metas e compromissos ESG da empresa a serem cumpridas até 2030, conectados aos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU.
A primeira, trata da descarbonização total das operações da empresa até 2035, atingindo a eficiência máxima das operações e reduzindo o impacto das mudanças climáticas. Lembrando que, atualmente, a Amaggi conta com operações que permeiam toda a cadeia agro, com produção agrícola, geração de energia, armazenamento de grãos, logística e fábricas de grãos. Segundo Heloisa, essa é uma meta com a qual todo o público interno precisa estar bastante engajado, e não somente a área de sustentabilidade da organização. Isso porque o cumprimento dela contará com os esforços de todos os envolvidos na operação, de ponta a ponta. Heloisa ainda cita, relacionada a essa meta, a neutralização das emissões residuais até 2050.
E a segunda grande meta, relacionada ao pilar social do ESG, é a geração de impacto positivo nas comunidades onde há atuação da empresa, através de uma mapeamento social, econômico e ambiental e, a partir disso, da identificação da necessidade de investimento de cada local, de modo que a comunidade possa crescer junto da empresa.
Ela explica que, mais do que mitigar impactos negativos, o desejo da Amaggi é, também, gerar impactos positivos.
A supervisora explica que, atualmente, o maior desafio é a conscientização e adesão de todas as empresas da cadeia.
Isso porque, além de lidar com os altos custos envolvidos na implementação de projetos relacionados às políticas ESG, muitas vezes, o entendimento desses processos não é algo acessível, especialmente para pequenas empresas parceiras, demandando a contratação de consultorias especializadas.
Dessa forma, aumenta-se ainda mais o investimento necessário para que essas outras empresas envolvidas nos processos da Amaggi possam cumprir com as políticas ESG e, consequentemente, isso dificulta a adesão.
Heloisa explica que a Amaggi encara a agenda ESG como negócio, uma vez que esses princípios estão incorporados aos valores da empresa e, por isso, não são levados em conta somente para atender às demandas de mercado, mas fazem sentido dentro da visão da empresa.
Por isso, a pauta ESG é algo que, desde sempre, permeia a cultura da empresa inteira, não estando retida somente na área responsável, mas espalhada por todos os setores da Amaggi.
Com isso, um dos grandes impactos percebidos é o maior aproveitamento das oportunidades de negócio, por conta de um preparo prévio acerca de muitas das demandas que surgem.
Dois exemplos desse pioneirismo, dados pela profissional, são o ACTS: AMAGGI COTTON TRACEABILITY AND SUSTAINABILITY PROGRAM - em português, Programa de Rastreabilidade e Sustentabilidade do Algodão Amaggi, e o ORIGINS, que é um programa de garantia de origens dos grãos milho e soja. Ambos criados com base em demandas de mercado para as quais a empresa já estava preparada e, por isso, foi capaz de atender.
É fato que o tema já se tornou fator essencial para o sucesso de grandes empresas, não só do setor agro, mas de quaisquer outros. Assim, a expectativa é que haja uma tendência cada vez maior de implementação de políticas ESG em grandes organizações.
Obviamente, para empresas que, diferentemente da Amaggi, ainda não contam com uma cultura ESG consolidada, o apoio especializado e a observação das práticas adotadas pelas empresas referência no assunto é, sem dúvidas, algo fundamental.
E a parte boa é que, atualmente, existem muitas ferramentas de mercado, instruções claras, indicadores e uma vasta gama de informações disponíveis para apoiar as empresas a darem o primeiro passo na adoção de políticas ESG, independentemente do setor de negócio.
As soluções educacionais digitais também são excelentes aliadas no processo de conscientização e educação de colaboradores, parceiros e clientes sobre a pauta ESG. Quer saber mais a respeito? Fale conosco!
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