O crescente domínio de oligopólios sobre a Internet e os dados pessoais dos usuários resultou na necessidade de descentralização da rede. Profissionais da tecnologia trabalham no que chamam de uma nova fase da internet.
Como resultado, a chegada da terceira geração da World Wide Web, web3, é considerada no setor da tecnologia como “a grande revolução da internet”.
Continue a leitura e mergulhe nesse universo tecnológico, que proporcionará uma transformação digital eficiente nos mais variados setores do mercado.
Antes de começarmos a falar sobre essa nova revolução da Internet, vamos recapitular brevemente alguns momentos da sua história e relembrar episódios de como tudo começou.
Se você já visitou um site, você já usou a World Wide Web (www), criada em 1989 por Tim Berners-Lee, que fez a primeira conexão de sucesso entre um computador e o protocolo http - Protocolo de Transferência de Hipertexto.
Pouco depois, o NeXTcube, da NeXT, empresa criada pelo Steve Jobs, foi usado como o primeiro servidor web e, também, para escrever o primeiro navegador, o WorldWideWeb, em 1990.
No início a internet foi um protocolo aberto e descentralizado que começou a se centralizar nos anos 90, com as grandes empresas do mercado de tecnologias conhecidas hoje em dia.
Portanto, o que se espera com a chegada da Web3 é voltar à essência, ao início do que foi a internet: sem nenhum controle em grande proporção de uma ferramenta de comunicação tão importante e presente no nosso dia a dia.
No princípio, a Internet funcionava como uma espécie de livro. Os navegadores permitiam o acesso a seus conteúdos de forma limitada, sem que o usuário pudesse responder com o tópico exposto.
Basicamente uma via única, em que o servidor transmitia e o usuário do outro lado da tela consumia, sem maiores experiências interativas.
Já com a segunda revolução — a Internet que conhecemos hoje — a pessoa usuária pode participar, tendo uma experiência de interação mais satisfatória.
Dessa forma, os usuários deixaram de ser espectadores passivos, e passaram a ter as ferramentas necessárias para a construção de conteúdo.
O conceito de centralização impulsionou inovações no espaço tecnológico, mas, ao mesmo tempo, deu o poder a um punhado de entidades centrais, para decidir unilateralmente sobre os limites de acessibilidade das pessoas que usam World Wide Web.
Logo, se a Web1 baseava-se em hyperlinks, e a Web2 acontece nas redes sociais, a Web3 será fundamentada na tecnologia blockchain.
A Web3 é uma evolução da internet, que marca o início de uma nova forma de utilizar a rede. Seu conceito foi citado pelo engenheiro britânico, Gavin Wood, co-fundador da blockchain e criptomoeda Ethereum.
O objetivo da rede é dar ao usuário uma experiência digital livre, que une as características de hoje à inteligência artificial, promovendo diversos benefícios. Consiste na renovação da internet e oferece aos usuários o controle total sobre as atividades online, por meio de:
Em outras palavras, revolução da Web3 visa alterar a centralização, usando uma rede descentralizada. Isso quer dizer que, todo computador poderá atuar como servidor ao invés de empresas controlarem seus servidores em propriedades privadas, e também será possível acessar informações de outros computadores na web.
Uma parte chave da estrutura da Web3 é a tecnologia blockchain, que permite criar "blocos" e formar cadeias de dados. O blockchain é conhecido principalmente por servir de base para as criptomoedas.
Além disso, nenhuma instituição pode controlar esse banco de dados, por ser altamente transparente e aberta. Justamente o que as pessoas estão procurando: mais transparência e descentralização.
O futuro será moldado por tecnologias como a Web3, e essa revolução promete uma mudança significativa na Internet. Os elementos que permitem a Web3 estão sendo desenvolvidos e, de certa maneira, já são uma realidade.
Porém, sua tecnologia ainda não foi assimilada nem utilizada massivamente pelo público em geral.
A principal tecnologia que permite a evolução da internet até a chegada da web3 é a blockchain. Ela funciona como uma espécie de livro de caixa criptografado, que registra informações de forma permanente e imutável.
Essa nova fase sugere descentralização do armazenamento de dados, pois esse sistema é compartilhado, e, por isso, qualquer pessoa pode registrar uma informação por meio de alguma plataforma que viabilize o registro.
Para ficar mais claro o seu funcionamento, basta pegar o exemplo da negociação das NFTs (tokens não fungíveis). A venda desses ativos é feita de forma direta, sem precisar de um intermediário. Ou seja, o “poder” está diretamente nas mãos das partes interessadas nessa negociação.
Por exemplo, para empresas como a Meta, uma gigante no meio digital, que guarda dados de diversas pessoas e organizações, o armazenamento em um só banco de dados se torna mais vulnerável do que dados protegidos em uma cadeia de blocos criptografados.
Quanto à privacidade dos usuários, a ideia é garantir que os dados estejam somente nas mãos de quem os pertence ao serem armazenados. Dessa forma, o próprio proprietário pode geri-los e permitir - ou não - o uso por empresas, através de contratos inteligentes.
Blockchain é uma palavra da moda com potencial transformador, trata-se de um livro público que registra e verifica transações automaticamente.
Sua importância foi destacada nos últimos dez anos, e muitas organizações ao redor do mundo a adotaram e desenvolveram aplicativos inovadores. Até o setor educacional está colhendo os benefícios da tecnologia blockchain atualmente.
Um exemplo disso: uma instituição que aceita um aluno transferido pode usar o blockchain para verificar seu histórico com apenas alguns cliques. O mesmo conceito se aplica ao compartilhamento de registros com um empregador.
Desse modo, tecnologia blockchain pode ser usada como um recurso educacional útil durante o processo de aprendizagem, permitindo que os alunos gerenciem suas identidades acadêmicas e personalizem o seu aprendizado, passando a atuar como protagonistas do próprio desenvolvimento.
Segundo Francisco Carvalho, CEO da Blockchain Rio, uma das principais características é a descentralização:
“A web3 permite a criação de comunidades e estimula o processo criativo em conjunto de modo nunca visto antes, enquanto o blockchain permite a realização de novos negócios, com segurança e controle de todos esses processos e transações”.
A Web3 ainda está engatinhando, mas já começou a revolucionar diversos setores da economia. Isso não seria diferente com o setor EdTech, que também será afetado por essas mudanças.
A educação caminha na mesma direção da Web3, já que a tecnologia da nova fase da World Wild Web promete liberdade e segurança.
Do mesmo modo, oferece oportunidades para que a educação seja mais econômica, acessível e credenciada de forma transparente.
Essa nova versão da web pode redescobrir o processo de aprendizagem, onde os alunos terão a liberdade de escolher seus caminhos para estudos mais personalizados.
O setor de EdTech está sendo fortemente impactado, principalmente para que os profissionais se adaptem às novas tecnologias e inovem em suas áreas de atuação.
Hoje em dia, as pessoas estão cada vez mais interessadas no desenvolvimento contínuo de suas habilidades, gerando aprimoramento e requalificação, devido às constantes mudanças e cobranças do mercado de trabalho.
Por isso, a Web3 é vista como um celeiro de novas oportunidades, com aprendizagens imersivas, sem fronteiras e de grande potencial com a chegada de tecnologias como o metaverso.
Estamos entrando em uma era onde a tecnologia será o motor da prosperidade, impulsionando a reestruturação social em todas as áreas. Os processos de educação vão mudar, jovens vão ensinar os mais velhos, numa imersão de papéis.
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