[Na mídia] Edtechs: reinvenção da educação vira oportunidade de negócio

A explosão das startups que criam alternativas para tornar o ensino e a aprendizagem mais eficientes

Françoise Terzian

Cerca de 53% dos brasileiros de 25 anos ou mais não concluíram a educação básica, revelou recentemente o IBGE, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) de 2018. É nesse contexto de educação fragilizada que as EdTechs, abreviação de education technology (tecnologia educacional) têm ganhado força no Brasil e no mundo. De todas as startups que nascem no país, as edtechs são a primeira aposta dos empreendedores. “Há dois anos, o futurista Thomas Frey disse que até 2030 as maiores empresas na internet serão de educação. Hoje, as edtechs já lideram o ranking de número de startups por setor, segundo mapeamento da Associação Brasileira de Startups”, afirma Luiz Alberto Ferla, CEO e fundador do DOT digital group, empresa de tecnologia para educação que já capacitou mais de 8 milhões de pessoas.

As edtechs são empresas que desenvolvem soluções tecnológicas para a oferta de serviços relacionados à educação, como plataformas de ensino, cursos online, jogos educativos, sistemas de gestão de aprendizado.O Brasil conta, atualmente, com 364 edtechs, que respondem por 7,8% do total de startups abertas, segundo a Abstartups (Associação Brasileira de Startups). No mundo, os números são ainda mais expressivos. Só a capital Pequim, na China, tem 3 mil edtechs, segundo levantamento da Native Ventures. Até gigantes como Google estão apostando nesse segmento.

“A razão é simples: o potencial do mercado é muito grande. Primeiro porque sempre teremos pessoas ingressando na educação formal e, segundo, porque cada vez mais as corporações exigem profissionais mais capacitados e atualizados. A expectativa é a de que em dois anos, no máximo, o número de alunos fazendo graduação via internet seja maior do que presencialmente”, prevê Ferla. Na educação corporativa, o uso de plataformas tecnológicas para treinamento também vem crescendo significativamente.

“As edtechs são uma forma de impulsionar a educação para mundos inimagináveis, uma vez que, no Brasil, a educação sofre com um sistema educacional burocrático e obsoleto, falta de estrutura física e carência de professores qualificados em determinadas matérias”, afirma o professor Eduardo Savarese Neto, superintendente de operações da FIA e responsável pelo Núcleo de Ensino a Distância.

A maioria das edtechs cria alternativas para tornar o ensino e a aprendizagem mais eficientes, fazendo com que os usuários aprendam mais rapidamente a um custo menor. Uma edtech desenvolve, por essência, soluções, e não conteúdos. É um trabalho que envolve inovação, tecnologia de ponta e foco nas necessidades dos usuários. “Como essas soluções são tecnológicas, trata-se de um negócio altamente escalável, o que significa que é possível cobrar preços baixos pelas assinaturas dos serviços ou outras práticas de monetização”, explica Savarese Neto.

 

Esta entrevista foi publicado no portal IT Trends.

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