Real Digital: a transformação digital no setor financeiro

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Nos últimos anos, o mercado financeiro vem passando por muitas inovações, a fim de promover inclusão financeira, maior concorrência e, sobretudo, maior transparência no vínculo com consumidores. O Real Digital é uma dessas inovações. 

E, obviamente, com tantas novidades no setor, é primordial investir em gestão do conhecimento e capacitação, no sentido de preparar os profissionais para a transformação digital.

Acompanhe a leitura e saiba tudo sobre o Real Digital, os seus impactos no mercado financeiro e como se preparar para tudo isso.

A transformação digital no setor financeiro

Ultimamente, quando o assunto é finanças, o consumidor brasileiro tem convivido muito com alguns novos termos: internet banking, PIX, open banking, entre outros. 

Todas essas inovações chegam para tornar a jornada do consumidor de forma mais simples, intuitiva e transparente. Mas como os colaboradores de grandes instituições financeiras entendem essa informação, para poder trabalhar com segurança e clareza? Em meio às inovações, surgiu em 2020 um novo conceito para entrar em pauta no mercado financeiro, as chamadas CBDCs (Central Bank Digital Currencies). 

As CBDCs são representações digitais da moeda física utilizada atualmente por um  país. O projeto tem um enorme potencial, mas ainda está no início, já que, de acordo com um relatório do Fórum Oficial de Instituições Monetárias e Financeiras, a  maioria dos bancos centrais envolvidos na criação de uma moeda digital própria estimam que a novidade se consolide em cerca de 10 anos.

Países como Bahamas, Nigéria, Caribe Oriental e Jamaica são somente alguns exemplos que já trabalham na emissão de uma CBDC.  Até o momento, a China está saindo na frente da maioria dos outros países nessa corrida, com o desenvolvimento da moeda digital mais avançado.

Em termos de Brasil, teremos uma CBDC chamada de Real Digital, que está em fase de elaboração. A versão de testes deve ser lançada ainda no final deste ano.

banner verde, com uma imagem dentro de um frame redondo, de profissional mulher trabalhando em um notebook. Ao lado, os dizeres "paper, Educação corporativa no setor financeiro" e ao lado um botão roxo que diz "baixe agora"

Benefícios do Real Digital

Devido ao seu desenvolvimento em blockchain — tecnologia de registro digital que registra transações e informações de forma segura e descentralizada, garantindo que as informações sejam imutáveis e que não possam ser alteradas ou excluídas —, o Real Digital deve trazer maior privacidade, segurança e rastreabilidade às transações financeiras. 

Além disso, a tecnologia oferecerá ao sistema financeiro uma maior possibilidade de se programar para o uso da moeda na resolução de questões de uso concreto por meio de protocolos, a exemplo de entrega contra pagamento (DvP), finanças descentralizadas (DeFi) e internet das coisas (IoT).

O Banco Central acredita, ainda, que tal novidade caminha ao lado da evolução tecnológica pela qual a economia nacional vem passando e deve promover modelos de negócios inovadores, além de manter a estabilidade monetária financeira.

Impacto do Real Digital nos fluxos de pagamentos

A coisa mais interessante a respeito do Real Digital está na desburocratização que ele trará aos fluxos de pagamentos, por meio dos chamados smart contracts: contratos inteligentes, que não precisam de nenhum intermediário para se concretizarem.  

Isso significa que em um negócio de compra e venda de qualquer natureza, seja de um imóvel, um carro ou quaisquer outros bens, poderá ser feito de forma direta entre comprador e vendedor, de maneira segura e instantânea.

Mas como isso é possível sem que haja riscos?

Veja bem, para que comprador e vendedor não se coloquem em risco em uma transação, o ideal seria que a transmissão de valores — tanto do bem adquirido para o comprador, quanto do dinheiro para o vendedor — ocorresse exatamente no mesmo momento. 

No entanto, isso simplesmente não é possível em nossos modelos de transação atuais: fatalmente, alguém terá que dar o pontapé inicial, ou o comprador transfere o dinheiro primeiro, ou o vendedor entrega o produto primeiro.

Com o Real Digital, isso se tornará possível. Ao comprar um bem, já cadastrado no metaverso e com o seu devido token, a transação poderá ser concluída de forma automática, com a validação de compra e o envio do pagamento acontecendo através do token do bem adquirido. Dessa forma, o vendedor recebe o dinheiro de forma imediata e o comprador recebe o bem — ou uma comprovação digital da compra de um bem real — também de forma imediata. Simples assim!

Real Digital em transações B2B

Deixando de lado os exemplos mais simplistas, é importante tratarmos também dos benefícios que essa tecnologia deve trazer a setores da economia que contam com sistemas de pagamentos complexos e fragmentados.

Apesar de sua popularidade, o PIX não caiu nas graças das empresas e, assim, não conseguiu simplificar as cadeias de pagamento business to business. Enquanto as pessoas físicas que utilizam o PIX já somam mais de 122 milhões, a quantidade de pessoas jurídicas está muito abaixo — somente 9,7 milhões. Sendo assim, a expectativa dos agentes de mercado é que o Real Digital possa exercer essa função de simplificador.

A ideia é que a nova tecnologia seja abraçada por setores mais tradicionais, como o agronegócio, indústria e saúde, por exemplo, reduzindo o distanciamento entre esses mercados e a transformação digital. 

Um ótimo exemplo é o setor agro, que contará com a contratação simplificada de crédito e seguros rurais, através de aplicativos conectados a lavoura. Isso propicia ao investidor maior previsibilidade e programação do destino específico do dinheiro, o que otimizará os processos e reduzirá os custos de transação e de empréstimos.

Além disso, não podemos deixar de citar o impacto positivo para o comércio global, já que esse modelo de moeda digital reduz as barreiras de internacionalização e facilita pagamentos cross border e outras transações financeiras internacionais.

De acordo com um estudo realizado pela JP Morgan, uma vez que as moedas digitais devem ter uma adesão mundial, estima-se uma economia para as empresas de cerca de 100 bilhões de dólares com custos de transações internacionais.

A gama de possibilidades que as CBDCs devem trazer é imensa, com o potencial de proporcionar ao setor financeiro inovações que ainda nem foram idealizadas.

Desafios a serem enfrentados

Mas, como em qualquer grande transformação, nem tudo são flores: com grandes possibilidades, surgem grandes desafios também.

Um exemplo é a atual infraestrutura do sistema financeiro nacional, deverá passar por mudanças antes de ser capaz de processar uma tecnologia de blockchain.

Ademais, também será necessário averiguar as diretrizes de políticas monetárias nacionais, que precisarão de atualização, além dos fatores liquidez e riscos de crédito envolvidos na nova tecnologia.

É fundamental que profissionais do setor financeiro e população em geral sejam educados para lidar com toda essa inovação, afinal, de nada adianta um recurso poderoso que ninguém sabe utilizar, não é mesmo?

A educação corporativa digital é, sem dúvida, a melhor opção para preparar os profissionais do setor para essa e outras soluções disruptivas que surgem a todo momento.

O DOT conta com profissionais capacitados e soluções educacionais digitais de última geração, para manter os seus colaboradores sempre atualizados de acordo com as prioridades educacionais da sua empresa.

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2024-02-29T10:37:11-03:00