Durante anos, falar de marca empregadora resumia-se a salários competitivos, pacotes de benefícios e planos de carreira. Esses elementos ainda importam, mas já não sustentam, sozinhos, a relação entre pessoas e empresas.
Profissionais, sobretudo das novas gerações, atravessaram a fronteira do “quanto eu ganho” e chegaram ao território do “qual é o propósito dessa organização e como ela transforma o mundo em que vivo?”.
Essa não é uma tendência passageira: é uma mudança estrutural. Quem lidera pessoas já percebeu que engajamento, permanência e reputação estão sendo reconfigurados por um novo critério. A fronteira da marca empregadora agora é o impacto social e empresas que não tiverem coragem de atravessá-la ficarão para trás.
Pesquisas globais mostram que jovens talentos buscam coerência: desejam alinhar seus valores pessoais aos da empresa. Observam menos o que a organização declara e mais o que ela demonstra na prática. O “walk the talk” tornou-se o verdadeiro diferencial competitivo.
Na prática, benefícios atraem, mas não garantem vínculo. O que sustenta o engajamento é a sensação de pertencimento a um propósito maior, a percepção de que, ao contribuir para os resultados do negócio, o profissional também contribui para o progresso social.
Na Alvarez & Marsal, temos vivenciado essa transformação por meio do ImpactAM, nossa iniciativa global de impacto social e diversidade.
Criamos o programa com a convicção de que não basta crescer como negócio: é preciso devolver à sociedade parte do valor que geramos.
Essa travessia se manifesta em múltiplas frentes, do apoio a organizações sociais à promoção da representatividade e educação como motores de transformação estrutural. Tudo isso impulsionado pelo protagonismo dos nossos profissionais, que compartilham tempo, conhecimento e redes de contato com a mesma intensidade com que se dedicam aos clientes.
Impacto social, para nós, é mais do que investimento financeiro: é infraestrutura viva de colaboração e transformação.
A experiência do ImpactAM nos mostrou que o impacto social não pode ser periférico nem acessório, ele precisa ser parte da identidade da empresa. Para CHROs e C-Levels que desejam atravessar essa fronteira, destaco três caminhos práticos:
É tentador enxergar a responsabilidade social corporativa como um desdobramento ético ou uma pauta acessória dentro da agenda ESG. Mas, sob a lente da gestão de pessoas, o “S” já se tornou vetor estratégico de competitividade.
Os talentos já atravessaram a fronteira: querem evidências, não slogans. Identificam incoerências com rapidez. E escolhem empresas que provam, na prática, seu compromisso com diversidade e impacto social.
Para os líderes, não se trata mais de “se” ou “quando”, mas de como. Impacto social não é custo é investimento em reputação, inovação e engajamento.
Um impacto social consistente não é caridade: é uma nova forma de competitividade. As empresas que ainda tratam o tema como pauta secundária correm o risco de se tornar irrelevantes. Já aquelas que colocarem diversidade e impacto social no centro da estratégia de pessoas estarão garantindo longevidade, inovação e engajamento sustentável.
A fronteira já está diante de nós. O futuro da marca empregadora pertence a quem tiver coragem de atravessá-la.
Lilian Giorgi é CHRO da Alvarez & Marsal
e membro da comunidade DOT Connections – CHRO