Curadoria de conteúdos educacionais em tempos de infoxicação

Diante de tantas novas tecnologias e do maior acesso à informação, surge o conceito de infoxicação.

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Quem nunca viveu o dilema de ter tantas opções para escolher e, no fim, não conseguir escolher nada, com certeza não tem Netflix! Isso é o que chamamos de infoxicação: o dano causado pelo excesso de informações, toda hora e em todo lugar.

Ainda que a expressão tenha sido criada há um tempão, lá em 1996 pelo físico espanhol Alfons Cornellá, o conceito tem ganhado mais força nos últimos anos. Isso graças às mudanças estrondosas pelas quais a nossa sociedade vem passando, com o surgimento acelerado de novas tecnologias dia após dia e a consequente ampliação do acesso à informação por meios digitais.

Infoxicação impulsionada pela pandemia e o boom  tecnológico

A chegada da pandemia em 2020 só ajudou a impulsionar a infoxicação: o número de lives aumentou consideravelmente, bem como tempo de tela dos usuários e a disseminação de informações em redes sociais — úteis e também inúteis.

Muitas das tendências trazidas pelo advento da pandemia acabaram se consolidando, mesmo após o seu fim. Algumas dessas, inclusive, extremamente benéficas: no período, a criação de materiais educativos no formato online foi muito disseminada mundo afora. E, por ser uma estratégia educacional que deu tão certo, a tendência chegou e nunca mais foi embora. 

Como identificar o que é informação útil de verdade?

Embora, num primeiro momento, o aumento de informações disponíveis possa parecer algo positivo, não se engane: também existem os malefícios. Afinal, como já dizia o ditado, “o que difere o veneno do remédio é a dose”.

Ao nos depararmos com a tela em branco do Google, são muitas as dúvidas que surgem: 

Onde buscar informações relevantes sobre educação corporativa? Dos cursos disponíveis na internet, quais deles vão realmente agregar no desenvolvimento profissional dos seus colaboradores? Quais canais de notícias podem ser consumidos com segurança? Quais são os melhores formatos para uma aprendizagem eficaz?

Atualmente, as pessoas não navegam na internet, elas naufragam. São ondas e mais ondas de informações, relevantes ou não, que nos afogam em um mundo de incertezas. Um turbilhão de tendências, dicas e pessoas falando sobre assuntos complexos, na maioria das vezes, de maneira rasa e imprecisa. É, de fato, uma infoxicação!

Se para o consumo de conteúdo em geral, todo esse excesso de informação já é problemático, imagine em se tratando de buscar conteúdo educacional… O problema é ainda maior.

O problema do excesso de informação na Educação Corporativa

Nada em excesso é bom, não é mesmo? E o excesso de informação é um problema real, que vem ocorrendo nos últimos tempos no universo da capacitação corporativa. São tantas as possibilidades de conteúdos e tecnologias educacionais à disposição dos profissionais que, por vezes, o conhecimento se torna difícil de encontrar. 

De acordo com o relatório 2023 Workplace experience trends & insights, da Appspaces, esse é o caso de 29% dos colaboradores entrevistados.

Em plena era da transformação digital, essa é uma estatística alarmante. Geralmente, o dilema do aprendiz com as infinitas possibilidades educacionais se dá por uma sucessão de fatores: 

  • As informações ficam espalhadas em diversos locais, dificultando o acesso quando se necessita. 
    • Se o colaborador não encontra o que precisa, terá que perguntar e esperar por uma resposta. 
      • Se ele precisar esperar, o momento da necessidade já terá passado quando ele a obtiver.

Mas, afinal… como os profissionais de T&D e RH podem lidar com esse problema e apoiar seus colaboradores na otimização do processo de aprendizagem frente à era da infoxicação?

A resposta é simples: curadoria

Como a curadoria de conteúdo pode apoiar a sua estratégia de T&D e fugir da infoxicação? 

Muito mais do que simplesmente escolher um tema a ser abordado em um programa de T&D, é preciso compreender se ele tem relevância para aos colaboradores e se está alinhado aos objetivos da empresa. 

Ademais, além da relevância, também é preciso selecionar conteúdos que possam entregar valor e corresponder às expectativas. 

Difícil, né? Por isso, para atender a todos esses parâmetros, é fundamental investir em um Diagnóstico Educacional já no princípio, antes mesmo da curadoria de conteúdo. O diagnóstico inicial lhe dará as respostas necessárias para descobrir quais conteúdos, canais e formatos são os ideais para o seu público.

Depois disso, pode-se seguir com a curadoria de conteúdo educacional, que será fundamental para guiar seus colaboradores pelo caminho esperado, reduzindo a ansiedade diante do excesso de opções. O profissional de T&D deve atuar como guia, filtrando conteúdos que realmente agregarão para o desenvolvimento de seus profissionais. 

Existem três passos para realizar uma boa curadoria de conteúdo: 

  1. Pesquise: busque acompanhar notícias e artigos, identifique as melhores fontes. 
  2. Contextualize: dê um sentido aos conteúdos oferecidos, conforme os interesses da empresa e o perfil profissional de seus colaboradores. 
  3. Compartilhe: identifique quais são os melhores canais de comunicação que podem servir de vitrine para os seus conteúdos. 

Mas antes de seguir esses passos, é preciso ter em mente alguns cuidados: 

Não peque pelo excesso

Dificilmente você conseguirá manter a atenção e o interesse do seu público com conteúdos muito extensos. Utilize-se da abordagem de microlearning, optando por temas e tópicos curtos, que possam ser trabalhados de maneira contínua e com profundidade. 

Tenha sempre informações novas

Uma boa curadoria de conteúdo é aquela que se mantém sempre bem atualizada. Por isso, revisite suas fontes e alimente os resultados e informações da primeira versão. 

Analise o que funciona com o seu público

Curadoria serve para isso: saber o que importa para o seu público! Por isso, é sempre bom analisar como as informações estão sendo consumidas, que tipo de reação estão causando e, principalmente, se estão agregando na rotina de trabalho das pessoas. 

Estratégias para driblar a infoxicação no T&D

A falta de centralização e integração de conteúdos e ferramentas educacionais é um dos grandes problemas em programas de aprendizagem continuada das grandes empresas. Algumas dicas para lidar com esse desafio são: 

Criar um ambiente central para o conhecimento 

Uma gestão do conhecimento adequada é fundamental: mapeie e agregue todas as suas soluções educacionais em um só lugar. Se tudo puder ser encontrado em um só lugar, as pessoas encontrarão.

Conheça todas as possibilidades de aprendizagem disponíveis 

Lembre-se que os seus colaboradores aprendem dentro e fora dos ambientes projetados em seu programa de T&D, assim, conversar com os profissionais e entender onde eles buscam uma solução quando têm um problema é fundamental.

Dê preferência às ferramentas que as pessoas já utilizam e gostam 

Constatou que tem uma ferramenta educacional sendo promovida há um tempão, mas que simplesmente não vingou, pois as pessoas organicamente usam outra? Considere alterar a ferramenta em seu programa de T&D. 

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Oferecer novas oportunidades de capacitação para os seus colaboradores ajuda no desenvolvimento profissional de cada um deles, serve como incentivo para a construção de um plano de carreira com objetivos que condizem com a cultura do colaborador e da empresa, além de contribuir com o crescimento constante da organização. 

Ao realizar uma curadoria, é possível desenvolver métodos inovadores de fazer educação corporativa digital e realizar investimentos mais assertivos na formação profissional de seus colaboradores. Além, é claro, de evitar a infoxicação deles. 

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