Inteligência Digital nas Campanhas Eleitorais

Por Luiz Alberto Ferla*

A internet revolucionou a comunicação política. A somatória das novas tecnologias à digitalização da informação e dos cadastros, essenciais em um mundo cada vez mais digital, criou um novo mercado. Mesmo com essas novas ferramentas, entretanto, é preciso inteligência para tirar o jogo do zero a zero. A comunicação digital só tem sucesso quando consegue, por meio do cruzamento de informações, determinar não só os desejos das pessoas, mas também as necessidades individuais.

Internet rápida, dispositivos acessíveis e crianças expostas à tecnologia cada vez mais cedo quebraram o obstáculo da distância. Hoje se fala com qualquer pessoa, independentemente de sua localização, de forma instantânea e a custo baixíssimo.

A integração social digital é vertical e horizontal. Foi-se o tempo em que a sociedade consumia informação top down. Hoje o relacionamento é essencial e o consumidor de um produto, ou eleitor em uma campanha, quer ser visto e ouvido.

Graças às tecnologias de Big Data, é possível criar estratégias que cruzem as informações das pessoas com seus desejos, ligando eleitor e demanda. A informação segmentada facilita a tomada de decisão e a personalização do discurso. Detectar comportamentos recorrentes nos internautas e adaptar o conteúdo e a linguagem é essencial para trabalhar na compreensão da informação, para evitar desperdícios de recursos e prejuízos de imagem e financeiros.

Uma campanha eleitoral não pode mais se valer apenas de televisão, panfletos e caminhadas. Redes sociais e websites também já se tornaram o padrão, todos têm e quase sem diferenciais. Assim como uma empresa deve procurar fatias de mercado inexploradas, um candidato deve se comunicar em formatos nos quais seus adversários não estão, ou se estão, fazê-lo de maneira que sua mensagem seja entregue mais rápido, com maior precisão e de forma mais personalizada. Hoje isso é possível por meio do SMS e do WhatsApp, rede social que mais cresce no Brasil.

Posicionamento é a tática que ganha batalhas. A construção do discurso de posicionamento é a estratégia que gera empatia. Entregar o discurso para o público certo, de forma ágil e personalizada, é a Inteligência.

Esta estratégia digital contém cinco premissas, nesta ordem:

1) Integridade dos dados e da mensagem são essenciais. O uso de dados minerados adequadamente está intimamente ligado à sinceridade da mensagem.

2) Análise de identidade, objetivos, mensagem e finalidade. Essa autopercepção permite determinar parâmetros para a segmentação que vão além da demografia.

3) Inteligência emocional sobre o comportamento dos internautas, apoiadores e adversários. A chave é mapear a convergência de ideias e vácuos na presença.

4) Planejar a estratégia completa. Um analista político capaz de mapear a conjuntura e antecipar cenários, inclusive possíveis crises, é essencial para o sucesso.

5) A estratégia se retroalimenta da operação. A estratégia deve ser sempre reajustada mediante avaliação dos resultados.

Medir e classificar o que as pessoas falam nas redes sociais é parte da operação. O que não pode ser medido e quantificado não pode ser analisado: isso é o monitoramento. O sentimento expressado pelos internautas tem impacto direto na imagem dos políticos e na avaliação de sua presença, e sua mensuração permite a antecipação de crises, tão comuns em campanhas eleitorais. Essa é uma das razões pela qual não é possível ignorar os relatórios de inteligência. Na política, uma coisa pode ser pior do que não ter um serviço de Inteligência: é ter e não usar.

Segundo o historiador israelense Yuval Noah Harari, autor de Sapiens e Homo Deus, os seres humanos aprenderão nas próximas gerações como construir cérebros e mentes, por meio da tecnologia. Os dados serão os principais produtos da economia no próximo século e os que fundamentam a informação e o conhecimento são e serão os mais importantes ativos do mundo.

Eleição é voto e voto é confiança. O eleitor “paga” adiantado por algo que acredita que irá receber. Confiança é tão somente trocar o presente pelo futuro, portanto, eleição é tratar do futuro.

Cabe ressaltar que todas essas ações possuem impacto duradouro quando trabalhadas, também, no período pós-eleitoral. Ao decidir não abandonar o legado adquirido durante a campanha e seguir usando a estratégia e os recursos tecnológicos para manter estreito o relacionamento com o público, os ganhos de imagem serão ampliados. O eleitor fidelizado sente-se parte do “time virtual” conquistado e forjado com base na confiança. Ele passa a defender o mandato do seu “eleito” como se dele fosse.

Nada mais coerente, então, que usar por meio de estratégias de Inteligência Digital, o grande ativo do futuro, os dados, para ser eleito no presente e um bom representante no futuro.

 

*Luiz Alberto Ferla é CEO e fundador do DOT digital group. Grupo especializado em EdTech (Education Technology) e MarTech (Marketing Technology).

 

 

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