O que é Gestão do Conhecimento?

Gestão do Conhecimento é um conceito difícil de ser definido com precisão e simplicidade.Todavia, procuraremos mostrar a seguir qual é o conceito que está por trás desta nova ferramenta de gestão. Segundo o European Guide to Good Practice in Knowledge Management (2004) , “gestão do conhecimento é a gestão das atividades e processos que promovem o conhecimento para o aumento da competitividade por meio do melhor uso e da criação de fontes de conhecimento individuais e coletivas”.

Gestão do conhecimento não trata apenas de gestão dos ativos de conhecimento mas também da gestão dos processos que atuam sobre estes ativos. Estes processos incluem: desenvolver, preservar, utilizar e compartilhar conhecimentos. Por isso, gestão do conhecimento envolve identificação e análise dos ativos de conhecimento disponíveis, e desejáveis, além dos processos com eles relacionados. Também envolve o planejamento e o controle das ações para desenvolvê-los (os ativos e os processos), com o intuito de atingir os objetivos da organização. Para Rebbecca Barclay e Philip Murray (1997) , “gestão do conhecimento é uma atividade de negócios com dois aspectos básicos. De um lado, trata o componente de conhecimento das atividades de negócios explicitamente como um fator de negócios refletido na estratégia, política e prática em todos os níveis da empresa e, por outro lado, estabelece uma ligação direta entre as bases intelectuais da empresa – explícitas (codificada) e tácitas (“Know-how” pessoal) – e os resultados alcançados”.

Na prática, gestão do conhecimento engloba as seguintes etapas:

– Identificar e mapear os ativos intelectuais detidos pela empresa;
– Gerar novos conhecimentos para oferecer vantagens competitivas no mercado;
– Tornar acessíveis grandes quantidades de informação corporativas, compartilhando as melhores práticas e a tecnologia que torna possível tudo isso – incluindo groupwares e intranets. Isto engloba muita coisa e deveria tornar-se parte integrante da maioria dos negócios.

A gestão do conhecimento inclui a auditoria dos ativos intelectuais que focaliza fontes, funções críticas e potenciais gargalos que podem impedir o fluxo normal do conhecimento. Também está incluído o desenvolvimento da cultura e dos sistemas de apoio que protegem os ativos intelectuais da deterioração e procuram oportunidades para aprimorar decisões, serviços e produtos através da inteligência e das agregações de valor e de flexibilidade. Ela vem complementar e realçar outras iniciativas na empresa, como ainteligência competitivae está no centro do aprendizado de uma organização, suprindo-a de ideias que avancem e a sustentem numa posição competitiva”.
A definição de gestão do conhecimento pode ser melhor entendida se reexaminarmos os conceitos de ativos intangíveis, introduzidos por Karl Erik Sveiby (1998) . Segundo este autor, “todos os ativos e estruturas organizacionais, sejam elas tangíveis ou intangíveis, são resultantes da atividade humana”.

De fato, o resultado das ações das pessoas, no ambiente, pode ser tangível (cultivar jardins, conduzir um carro, etc…) ou intangível (ter ideias, estabelecer relacionamentos com outras pessoas, etc…). Neste sentido, pode-se dizer que as pessoas criam relacionamentos, externos e internos, para se expressarem no ambiente no qual elas estão inseridas. Por outro lado, da mesma forma que as pessoas, as empresas também criam relacionamentos externos e internos. Além disso, como as pessoas têm capacidade de agir numa grande variedade de possíveis situações, quando elas estão desenvolvendo uma atividade de trabalho, dentro de uma organização, elas aumentam o seu valor. Por isso, a competência humana é, também, um ativo intangível. Pode-se dizer, então, que são três as famílias de ativos intangíveis que deveriam ser incluídos no balanço de uma empresa:

– Relacionamentos externos: dizem respeito às relações com os clientes, fornecedores e a imagem da empresa junto à sociedade;
– Relacionamentos internos: dizem respeito aos conceitos, modelos gerenciais, programas de computadores, sistemas administrativos e registros de patentes que fazem parte da empresa;
– Competência dos funcionários: diz respeito a capacidade de ação das pessoas, dentro das empresas, em situações distintas.

O conhecimento cresce ao ser compartilhado e ao ser utilizado. Quando doamos um dólar a alguém, este alguém ganha o dólar, mas nós o perdemos. Quando nós transferimos conhecimento a alguém, este alguém ganha, mas nós continuamos com ele também e, neste caso, há uma ampliação do conhecimento. Na verdade, o conhecimento é duplicado. Estamos acostumados com a depreciação dos ativos tangíveis, como carros, computadores e eletrodomésticos, na medida em que eles são utilizados. Ao contrário, se um ativo intangível não é utilizado (como, por exemplo, a habilidade de falar outro idioma), então ele se deteriora. De fato, o conhecimento perde seu valor quando não utilizado. Se as empresas são constituídas de mais ativos intangíveis do que tangíveis, então os intangíveis constituem um fator determinante para a economia das empresas.

Gestão do conhecimento é a arte de criar valor alavancando os ativos intangíveis. Para conseguir isso, é preciso que os gerentes consigam visualizar as organizações como estruturas e fluxos de conhecimentos. Esta é uma concepção bem diferente do paradigma da era industrial, porque a fábrica da era industrial criava valor a partir de bens materiais, movimentando-os dos fornecedores para a fábrica e dela para os clientes. A agregação de valor se dava pela adição de recursos como energia e mão-de-obra. As empresas que vemos hoje, incluindo companhias como a GoogleTM, criam valor não a partir de recursos físicos, mas da inteligência e da competência das pessoas, assim como dos relacionamentos entre elas e seus clientes. Por isso, a economia do conhecimento exige uma reformatação na gestão que focalize mais as relações e os fluxos desses ativos intangíveis nas organizações.

Por Luiz Alberto Ferla

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