O maior desafio deste século

O mundo atual passa por uma série de transformações ambientais, econômicas e sociais, que deve ser devidamente compreendida e analisada. O que mais caracteriza esta nova era é a sua complexidade dinâmica. Este é grande desafio a ser enfrentado pelas organizações deste século: mobilizar potenciais criadores e transformadores para sobreviverem a essa complexidade e a imprevisibilidade do futuro. Para que as organizações possam se preparar para enfrentar essa nova realidade, é preciso, num primeiro momento, compreender melhor o que está acontecendo. O entendimento do funcionamento do mundo dos negócios, em todos os seus aspectos, é necessário para a tomada de decisões bem-sucedidas.

Os fatores ambientais, como as forças competitivas, regulamentos, legislação e tendências socioeconômicas, constituem um ponto de partida para decidir como organizar e gerenciar os fatores internos da organização, como recursos humanos, infraestrutura, estrutura organizacional e definição de estratégias. Essas mudanças, no mundo dos negócios, vêm acontecendo, de maneira mais ou menos visível, desde o final da década de 80 do século passado.

Todavia, hoje pode-se perceber uma série de evidências empíricas irrefutáveis desta nova era. A globalização, por exemplo, trouxe para o dia a dia das empresas a abertura de mercados e a dura realidade da concorrência global. As inovações tecnológicas revolucionaram todas as áreas, mas, sem dúvida, os maiores avanços se deram na área das telecomunicações, principalmente no que diz respeito às tecnologias de informação e de comunicação. Os avanços nesta área imprimiram mudanças consideráveis ao mundo dos negócios. A noção tradicional de tempo e espaço foi ultrapassada, de maneira tal que hoje, em segundos, grandes distâncias podem ser eliminadas.

Por outro lado, atualmente, o fator de produção mais importante é o conhecimento. A lógica do conhecimento é diametralmente oposta à lógica do capital, porque a sabedoria compartilhada cresce, enquanto o capital utilizado se reduz. De fato, o conhecimento cresce ao ser compartilhado e ao ser utilizado. Quando doamos um real a alguém, este alguém ganha um real, mas nós o perdemos. Quando nós transferimos conhecimento a alguém, este alguém ganha, mas nós continuamos com ele também e, neste caso, há uma ampliação do conhecimento. Na verdade, é duplicado.

Estamos acostumados com a depreciação dos ativos tangíveis, como carros, computadores e eletrodomésticos, na medida em que eles são utilizados. Ao contrário, se um ativo intangível não é utilizado (como, por exemplo, a habilidade de falar outro idioma), então ele se deteriora.

Na realidade, o conhecimento perde seu valor quando não utilizado. Se as pessoas, as organizações e os países derem mais importância ao conhecimento do que aos ativos tangíveis (aos bens materiais), sem dúvida, isso se constituirá em um fator determinante para o futuro dessas pessoas, dessas organizações e desses países. O sucesso atual dos países asiáticos, como a Coreia do Sul, em parte se explica por esta opção. Então, por que o Brasil não faz o mesmo?

*Neri Dos Santos Dr. Ing. Graduado em Engenharia Mecânica pela UFSC, mestre pela Université de Paris XIII, doutor pelo Conservatoire National des Arts et Metiers (Paris, França) e pós-doutorado em Engenharia do Conhecimento pela École Polytechnique de Montreal (Canadá).Consultor Técnico da Knowtec- Inteligência Competitiva (www.knowtec.com), Coordenador da atividade de pesquisa programada UE-KNOWTEC/EGC-UFSC.

Fonte: DCI

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