Inteligência Competitiva & Gestão do Conhecimento: as duas faces de uma mesma moeda, a competitividade

Nos últimos anos, o Brasil tem implementado políticas mais sistemáticas de apoio à inovação e, mais especificamente, vem objetivando engajar as empresas em estratégias de inovação de produtos, de processos, de formas de uso, de distribuição, de comercialização entre outras, visando atingir, desta maneira, um patamar superior de desenvolvimento e de geração de renda.

De fato, a capacidade de inovar passou a ser uma nova exigência, que as empresas têm que incorporar como competência organizacional, em termos de diferencial competitivo, ao lado da capacidade de reagir às exigências e expectativas dos clientes.

Todavia, a maioria das empresas brasileiras, sobretudo as de menor porte, ainda não tem acesso ao processo de coleta, análise e disseminação da informação, e de sua transformação em conhecimento e vantagem competitiva. Apenas uma pequena e restrita parcela de empresas brasileiras têm acesso, mesmo que parcial, às informações tecnológicas disponíveis nas diversas fontes (incluindo universidades). Poucas são as empresas que têm trabalhado efetivamente na perspectiva de utilização do conhecimento como fator de produção, buscando implementar métodos, técnicas e ferramentas de Gestão do Conhecimento e de Inteligência Competitiva. Na raiz deste problema está a falta da cultura do conhecimento, como fator de agregação de valor às empresas, devido a diversas circunstâncias, dificuldades e questões que envolvem essas tecnologias de gestão da economia baseada no conhecimento. É importante, portanto, que seja feita uma diferenciação adequada entre esses termos, de forma a facilitar a sua compreensão e implantação nas organizações.

Em um Sistema de Inteligência Competitiva a informação externa é sintetizada e interpretada por analistas e especialistas internos da empresa, antes de serem armazenados em um base de conhecimentos que é facilmente acessado pelos gestores. Pode-se ter a impressão de que um Sistema de Inteligência Competitiva (SIC) está contido em um Sistema de Gestão do Conhecimento (SGC). Entretanto, em um SGC a preocupação principal está em explicitar os conhecimentos existentes dentro da própria empresa. Na prática, um SIC busca entender os desafios competitivos, ou seja, monitora o mundo do lado de fora da empresa. Segundo Leonard M. FULD (1998), um sistema tem impacto sobre o outro, na maioria das vezes positivo, mas um não circunscreve o outro. Os SICs e os SGCs podem funcionar, assim, como compartilhadores de informação, conhecimento e inteligência. O primeiro fortemente voltado ao apoio à tomada de decisão e, o segundo, em criar, disseminar e utilizar o conhecimento interno da organização.

Segundo JOHNSON (1998), “uma das maiores razões que compelem a usar a Gestão do Conhecimento é aquela da Inteligência Competitiva”, sugerindo, assim, que a primeira seja utilizada como estrutura ideal para a segunda.A existência de um SGC facilita o fluxo e a criação de conhecimento, permitindo, assim, que a inteligência também consiga ser gerada mais facilmente. Um SIC, por sua vez, é facilitado pela existência de um SGC. Tanto uma como a outra estão preocupadas em “entregar um produto” que sirva, ao final, de apoio à tomada de decisões e aumento da competitividade da organização.

Por Prof. Neri Santos Dr. Ing.

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