Inteligência Competitiva

A maioria das grandes empresas brasileiras tem implementado processos de coleta sistemática de dados do ambiente no qual elas estão inseridas, visando identificar as informações mais estratégicas para apoiar a gestão empresarial.

É a chamada inteligência competitiva, um processo sistemático de agregação de valor, que converte dados em informação e, na sequência, informação em conhecimento estratégico para apoiar a tomada de decisão empresarial. – Os primeiros passos para desenvolvimento e implementação de um sistema de inteligência, com os seus diferentes componentes – entradas, saídas e processamento – é o que pretendo apresentar neste artigo. As entradas consistem em informações publicadas e não publicadas, e as saídas são os relatórios de inteligência e de tendência.

O processo de inteligência competitiva propriamente dito é o que se situa entre as saídas e as entradas. Assim, como ele está no meio, tanto pode ser um gargalo, como pode ser um processo bem estruturado de produção de inteligência. Infelizmente, a maioria das pessoas pensa que apenas uma plataforma tecnológica sofisticada seja suficiente para analisar minuciosamente todas as informações e categorizá-las na saída para serem disseminadas.

Na maioria dos casos, são pessoas, não máquinas, que analisam e organizam a disseminação de informações estratégicas. O plano estratégico de um sistema de inteligência competitiva deve indicar como sistematizar a coleta e a categorização de dados, como analisá-los e sintetizá-los para transformá-los em informações estratégicas e como disseminar essas informações por toda a empresa, para transformá-las em conhecimentos estratégicos que irão apoiar a tomada de decisão organizacional.

Há muitas vantagens em se elaborar um plano estratégico para a implementação de um sistema de inteligência competitiva, em qualquer tipo de empresa, dentre as quais podem-se citar as seguintes: (I) levar a empresa a agir ao invés de reagir aos eventos do mercado; (II) apoiar a empresa na capitalização das oportunidades do mercado; (III) integrar os esforços centrais de inteligência aos aspectos operacionais, fontes de informação das unidades de negócios e áreas funcionais e (IV) melhorar o entendimento dos executivos e dos gerentes de como a empresa pode adquirir e manter uma vantagem competitiva.

No desenvolvimento e na implementação de um sistema de inteligência competitiva existem fatores críticos de sucesso que devem ser considerados, tais como: (I) estabelecimento de uma rede de relacionamentos de pessoas, (II) desenvolvimento de uma plataforma tecnológica de apoio e (III) implementação de uma abordagem disciplinada, porém flexível. As melhores práticas da introdução de um sistema de inteligência competitiva mostram que parte do problema está na forma como os dirigentes abordam esses fatores críticos de sucesso que, na maioria das vezes, ocorrem de forma consecutiva ao invés de serem de forma simultânea. Os sistemas de inteligência competitiva, já implementados e mais bem-sucedidos, foram aqueles que desenvolveram uma plataforma tecnológica de apoio simultaneamente com o estabelecimento de uma rede de relacionamento de pessoas, tanto internamente como externamente à empresa.

Os maiores problemas encontrados no desenvolvimento de um sistema de inteligência competitiva estão relacionados às pessoas e não às tecnologias. Portanto, o maior esforço deve ser utilizado no estabelecimento de uma rede de relacionamento de pessoas, em oposição ao desenvolvimento de uma plataforma tecnológica sofisticada. É difícil estabelecer uma rede de relacionamento de pessoas até que uma plataforma tecnológica básica esteja desenvolvida e em operação, e vice versa. A melhor forma é abordar as duas tarefas simultaneamente.

Uma abordagem simultânea permitirá a implementação de um sistema de inteligência competitiva num período de tempo muito menor do que qualquer outra abordagem. Muitas empresas levaram até três anos para desenvolver e implementar um sistema de inteligência competitiva efetivo. Entretanto, as empresas que optaram por uma abordagem simultânea, têm implementado sistemas de inteligência efetivos em menos da metade deste tempo.

É bem provável que num futuro próximo sistemas inteligentes de apoio à decisão ajudarão as pessoas a fazer análise e tratamento de informações, chegando mesmo a sugerir alternativas mais estratégicas. Neste caso, o processo de inteligência será, de fato, baseado em técnicas de Engenharia do Conhecimento. Hoje, entretanto, na maioria dos sistemas de inteligência competitiva já implementados, a tecnologia é utilizada apenas na coleta de dados e na disseminação de informações. Frequentemente as empresas erram procurando projetar um sistema ideal de inteligência competitiva que envolve todos os concorrentes, todos os mercados e todas as tecnologias. Esta abordagem certamente leva ao fracasso.

Fonte: Neri dos Santos – DCI

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