Conhecimento: o novo fator de produção

Atualmente, temos acompanhado na mídia uma série de transformações que vem ocorrendo no mundo, numa velocidade e consequências significativas, que deve ser devidamente compreendida e analisada pelas pessoas, organizações e países.

A razão dessas transformações está relacionada a dois aspectos: de um lado, as informações circulam em velocidades próximas à velocidade da luz e, como elas são matérias primas para criar a sabedoria as pessoas, organizações e países têm, hoje, mais capacidade para criar conhecimentos do que outrora.

Por outro lado, atualmente, o fator de produção mais importante é o conhecimento, pois como salientou o Papa João Paulo II, em sua encíclica Centesimus Annus, de 1991: “Se antes a terra, e depois o capital, eram os fatores decisivos da produção (…) hoje o fator decisivo é cada vez mais o homem em si, ou seja, seu conhecimento”.

A lógica do conhecimento é diametralmente oposta à lógica do capital, porque a sabedoria compartilhada cresce, enquanto o capital utilizado se reduz. De fato, o conhecimento cresce ao ser compartilhado e ao ser utilizado.

Quando doamos um real a alguém, este alguém ganha um real, mas nós o perdemos. Quando nós transferimos conhecimento a alguém, este alguém ganha, mas nós continuamos com ele também e, neste caso, há uma ampliação do conhecimento. Na verdade, é duplicado.

Estamos acostumados com a depreciação dos ativos tangíveis, como carros, computadores e eletrodomésticos, na medida em que eles são utilizados. Ao contrário, se um ativo intangível não é utilizado (como, por exemplo, a habilidade de falar outro idioma), então ele se deteriora.

Na realidade, o conhecimento perde seu valor quando não utilizado. Se as pessoas, as organizações e os países derem mais importância ao conhecimento do que aos ativos tangíveis (aos bens materiais), sem dúvida, isso se constituirá em um fator determinante para o futuro dessas pessoas, dessas organizações e desses países.

O sucesso atual dos países Asiáticos, como a Coréia do Sul, em parte se explica por esta opção. Então, por que o Brasil não faz o mesmo?

Artigo publicado no Portal Economia SC 

*Neri Dos Santos Dr. Ing. Graduado em Engenharia Mecânica pela UFSC, mestre pela Université de Paris XIII, doutor pelo Conservatoire National des Arts et Metiers (Paris, França) e pós-doutorado em Engenharia do Conhecimento pela École Polytechnique de Montreal (Canadá).Consultor Técnico da Knowtec- Inteligência Competitiva (www.knowtec.com), Coordenador da atividade de pesquisa programada UE-KNOWTEC/EGC-UFSC.

Link Original

Receba Conteúdos!

Cadastre-se e receba conteúdos exclusivos produzidos pelo DOT