Conhecimento: o fator de produção da nova economia

A economia do conhecimento pode ser caracterizada pela emergência de um novo fator de produção, que é o conhecimento e não mais o capital, os recursos naturais ou mão-de-obra. Stewart  (1998, pág. 13) define o que o capital intelectual baseado, sobretudo, no conhecimento, é hoje mais importante do que qualquer outro ativo que a empresa possa deter. Segundo ele, “(…) ao contrário dos ativos tangíveis, com os quais empresários e contadores estão familiarizados (propriedade, fábricas, equipamento, dinheiro,…), o capital intelectual é intangível. É o conhecimento da força de trabalho: a competência e a intuição de uma equipe, (…) ou o know-how dos trabalhadores (…). É a rede eletrônica que transporta a informação na empresa à velocidade da luz, permitindo reagir ao mercado mais rápido que seus rivais. É a cooperação – o aprendizado compartilhado – entre uma empresa e seus clientes que forja uma ligação entre eles, trazendo com muita freqüência o cliente de volta”. O autor resume tudo isso em uma frase: “O capital intelectual constitui a matéria intelectual – conhecimento, informação, propriedade intelectual, experiência – que pode ser utilizada para gerar riqueza”.

Hoje em dia, empresas intensivas em conhecimento valem muito mais que seus ativos podem representar. Algumas empresas valem de 3 à 4 vezes mais. Este gap entre os ativos da empresa e seu valor de mercado só pode ser explicado pelos ativos intelectuais. Um exemplo bem representativo dessa realidade é a Google, empresa cujo maior patrimônio, sem dúvida alguma, é o conhecimento armazenado e o potencial intelectual de seus funcionários.

É interessante observar que quando uma empresa tem um histórico de sucesso, ela vale tanto pelo que já conquistou como pelo que seus funcionários, ainda, poderão conquistar. Na prática, a gestão desse potencial não é um processo simples, mas é um dos desafios que as empresas terão que aprender a lidar.As organizações vencedoras deste século serão aquelas que conseguirem acúmulo de saber, ou seja, a participação de muitos, o empenho coletivo, a capacidade das pessoas envolvidas de interagirem, umas com as outras, dentro de uma linguagem comum, de um esforço conjunto. Este novo “ativo” tem uma particularidade muito interessante: se antes o capital era guardado para aumentar a riqueza de seu proprietário, hoje ele deve ser compartilhado, porque o conhecimento compartilhado cresce, enquanto o conhecimento não utilizado se torna obsoleto e perde seu valor.Isso não significa que o objetivo das organizações mudou.

A obtenção de lucros e a maximização do capital continuam sendo a razão de existir das organizações, ou pelo menos da maioria. A informação, o conhecimento, a aprendizagem e a inovação são “bens” muito mais democráticos, embora sejam hoje fatores de diferenciação estratégicos entre as empresas. Atualmente, a maior dificuldade encontrada pelas empresas para negociar com este tipo de ativo é ter de expor seus problemas e compartilhar a sua própria ignorância, inclusive com concorrentes, clientes e fornecedores. Isso pode ser uma barreira ao aprendizado para muitas empresas, mas é preciso definir estratégias para superar qualquer dificuldade que possa existir e fomentar o processo de aprendizado contínuo.Neste sentido, é importante que as organizações desenvolvam uma postura voltada para o aprendizado e destaque em suas visões, valores, princípios, perfil de seus funcionários, infra-estrutura e estrutura organizacional, meio de maximizar seu processo de aprendizagem. O foco deve estar na identificação, criação, armazenamento e, principalmente, no compartilhamento, disseminação e uso da informação e do conhecimento.

 Prof. Neri Dos Santos

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