Conhecimento é a alma do negócio

A maior riqueza das organizações da era do conhecimento e o maior desafio dos executivos deste novo milênio é transformar o conhecimento individual, que é de natureza tácita, em conhecimento organizacional

A reconhecida função da gerência de desenvolver os ativos da organização deve ser traduzida na implementação de formas capazes de transformar o conhecimento tácito das pessoas de nível operacional em procedimentos e métodos organizacionais. A importância dos relacionamentos internos reside nesta atividade de gerenciamento. A gerência deve ser capaz de conceber tarefas inteligentes, a partir da análise das atividades desenvolvidas pelas pessoas de nível operacional, nas linhas de frente da organização.

A otimização da atividade gerencial nas organizações intensivas em conhecimento está na máxima utilização da estratégia, cultura, estruturas, sistemas, rotinas e procedimentos organizacionais – tudo isso é relacionamento interno – no sentido de impedir que cada um dos colaboradores da organização passe o equivalente a duas ou três semanas por ano procurando informações e conhecimentos que outros já detêm. Se houver gerenciamento do relacionamento interno, o tempo transcorrido entre o aprendizado e a disseminação do conhecimento ficará sistematicamente menor. A competência das pessoas também se tornará mais produtiva, por meio de processos estruturados de trabalho, de fácil acesso e inteligentes.

É importante ressaltar que os ativos intangíveis estão espalhados por toda a organização, sendo difícil encontrá-los, e eles têm tendência a desaparecer sem deixar pistas. Muito há ainda que se aprender quanto à gestão do conhecimento. É algo novo que devemos acompanhar por meio da avaliação dos resultados que vêm sendo conseguidos pelas diferentes iniciativas que um número cada vez maior de empresas tem empreendido. A constituição de bases de conhecimentos está ocorrendo em todas as empresas. Constituem-se em muito mais que manuais e e-mails. São iniciativas estratégicas cujo objetivo é mudar a forma de operação das empresas. Evitar que os funcionários despendam longas e custosas horas repetindo o trabalho de outros.

Facilitar o controle dos especialistas e das ideias da empresa, independentemente da geografia ou da especialidade, são tentativas ambiciosas de reunir informações e conhecimentos espalhados, com o objetivo de convertê-los em conhecimento organizacional. O baixo custo da tecnologia da informação e seu poderoso espectro de ação deram impulso a sonhos de criação de bibliotecas vivas que englobam estoques inteiros de conhecimento organizacional. O esforço de mapear o conhecimento organizacional é motivado pelo crescimento e rotatividade de pessoal. Uma empresa com um índice de rotatividade anual de 10% perderá metade de seus colaboradores experientes em apenas cinco anos, mesmo que o número de empregados permaneça o mesmo. Já os contratados irão aprender muito mais rápido aquilo que a organização sabe, podendo agregar sua contribuição em curtíssimo prazo. A gestão dessas bases de conhecimentos organizacionais serão responsáveis, tanto pela retenção de parte do conhecimento que vai sair quanto do compartilhamento do conhecimento que vai entrar, constituindo-se naquilo que se chama “memória organizacional”.

*Neri Dos Santos é doutor em engenharia pelo Conservatoire National des Arts et Métiers – Paris (França), professor titular da UFSC e consultor técnico da Knowtec.

Publicado em: 05/09/2012

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