Competência transforma o lucro

Provar o valor da competência das pessoas é desnecessário. Entretanto, descobrir quem é quem em uma determinada organização é fundamental: algumas pessoas são ativos muito valiosos, outras só representam custos. Separar sentimento de objetividade, planejar o aumento dessa forma de ativos intangíveis e entender que a organização nunca terá propriedade sobre ele são ações que devem ser perfeitamente entendidas pela gerência.

Ter ideias é uma característica nata do ser humano e não requer treinamento nem educação especial. De fato, o ser humano aos dois anos de idade, tem e coloca em prática muitas ideias quando está sozinho. Todavia, o desafio da gerência está no desenvolvimento organizado de ideias construtivas einovadoras. Pesquisas realizadas mostram que ao incrementarmos a instrução da força de trabalho em 10%, induzimos um aumento no fator de produtividade em cerca de 9% em média.

Se o mesmo incremento de 10% residir nas ações representativas do capital (equipamentos, por exemplo), a elevação da produtividade não chegará a 4%. Frases como “o dinheiro tem poder, mas não pensa”, e “as máquinas operam muitas vezes melhor do que qualquer ser humano, mas não inventam”, compõem uma imagem pragmática dessas constatações. Em termos organizacionais, a questão é “Como adquirir volume suficiente de competência humana a ser utilizada para gerar lucro?” Se a meta é inovar – novos produtos/serviços ou melhoria dos processos de negócios – exige-se aumento da competência individual, das equipes e organizacional. Esse crescimento se dá quando a empresa utiliza mais o que as pessoas sabem ou quando um número maior de pessoas sabe mais coisas úteis para a organização. Esse processo se inicia por meio da eliminação das tarefas irracionais, inúteis, burocráticas e das competições internas.


A literatura ilustra que a “taylorização” (trabalho subdividido em operações elementares, pelo sistema de Taylor) do ambiente de trabalho promoveu a destruição de equipes inteiras de profissionais. Usar a inteligência de forma ineficiente representa a condenação da empresa na era do conhecimento. Impor à chefia a tomada de posições claras quanto às ideias desenvolvidas pela equipe, no âmbito das mudanças nos processos de trabalho, é uma forma de começar a otimizar a competência de que dispomos. Criar um “ambiente” onde essas ideias possam ser trocadas sem hierarquia é um bom começo. Esse procedimento significa tornar público o conhecimento privado, tornar coletivo o conhecimento individual.


Por meio de contratação ou da capacitação do pessoal existente, os gerentes do conhecimentoprecisam focalizar e acumular talento onde for necessário, a partir do planejamento estratégico da organização. Adicionalmente, a inteligência organizacional deve ser cultivada no âmbito das ações. Só doutor não resolve. Para que façam diferença, é preciso que estejam associados ao contexto integral dos ativos intangíveis, ou seja: mais relacionamentos internos em todas as áreas da organização e mais relacionamentos externos com clientes e fornecedores.

 

Neri Dos Santos é doutor em Engenharia pelo Conservatoire National des Arts et Métiers, professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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