As oportunidade da Plataforma de Inteligência Colaborativa como um novo Modelo de Negócios

14-08-28-ic-blog

No post Plataforma de Inteligência Colaborativa de Produtos Digitais, fiz referência a ação do nosso Vice-Presidente, Guilherme Ferla, para o desenvolvimento de uma Plataforma de Inteligência Colaborativa de Produtos Digitais.

Todavia, muitos colegas da empresa têm me questionado o que, de fato, é uma plataforma, como modelo de negócio, e o que ela tem de inovadora para as empresas do DOT digital group.

Em primeiro lugar, saliento que, uma das principais oportunidades de construção estratégica para o Brasil, que o próximo governo a ser eleito nas próximas eleições deverá enfrentar, está nas novas relações sociedade – governo e sociedade – sociedade, proporcionadas por visões contemporâneas da gestão pública, combinadas com as novas possibilidades das tecnologias da informação e comunicação (TIC).

No cenário governamental, muitos avanços têm ocorrido nas duas últimas décadas. Os recursos trazidos pelos novos repositórios de dados, pela conectividade e pela difusão de mídias permitiu que o governo eletrônico se torne cada vez mais ubíquo, como se verifica em novos conceitos, tais como E-authentication (identificação eletrônica), E-democracy (uso das TIC em apoio à democracia), E-participation (TIC em apoio à participação da sociedade junto ao governo) e E-procurement (uso das TIC para troca de dados e apoio a relações compra-venda). Essas novas formas de relacionamento governo-sociedade estão alinhadas às exigências de governança pública, baseadas em princípios da responsabilidade, transparência, efetividade, participação, coprodução. Governos de diversos países democráticos têm criado marcos regulatórios e práticas que garantem disponibilização de dados públicos aos seus cidadãos, como foi o caso no Brasil em relação a Lei N° 12.527, de 18 de novembro de 2011 (Lei de Acesso à Informação). Esse novo cenário de governança pública, convergente com as novas formas de efetivar a relação governo-sociedade, criou um novo cenário de oportunidades para as empresas intensivas em conhecimento nas quais os sistemas de informação do governo não são somente instrumentos para as suas eficiências, mas geradores de insumo à criação de uma economia do conhecimento nas relações governo-sociedade e sociedade-sociedade.

No cenário empresarial, esse novo paradigma de geração de oportunidades está muito bem delineado por quatro grandes empresas americanas, de crescimento acentuado em poucos anos: Amazon®Apple®Facebook® Google®. Essas empresas se destacaram pelo uso intensivo de tecnologias na redefinição de canais de entrega e na própria demanda de seu mercado consumidor. Para crescerem e alcançarem mercados e portfólios de produtos cada vez maiores, essas empresas adotaram intensas estratégias de parcerias e inovação. Em síntese, é relevante observar que o que permitiu tanto o crescimento exponencial das empresas no setor de serviços de informação como as novas formas de relação governo-sociedade foi a incorporação de um novo modelo de negócio para se gerar valor: a plataforma (SIMON, P., 2011)[1].

Por meio das plataformas, organizações públicas e privadas não somente poderão usar TIC para entregar seus produtos, mas também para ampliar e criar inteligência colaborativa com seu público-alvo. Na sua essência, as plataformas são orientadas, principalmente, às comunidades de usuários e às suas interações. Quanto maior o número de interações, mais poder de recursos terá a plataforma.

Para entender a plataforma de informações como um novo modelo de negócio, deve-se conhecer as dimensões que integram este novo conceito. Há 6 (seis) dimensões que devem consideradas em uma plataforma: (1) mercado-alvo; (2) ecossistema; (3) colaboração; (4) tecnologia; (5) inovação e (6) marketing. Na tabela abaixo estão relacionadas as principais características dessas dimensões, antes e depois da Era das Plataformas, como modelo de negócios, focalizadas em um determinado setor.

 

Dimensões

Era pré-plataforma

Era da plataforma

Mercado-alvo

Sistemas de informações usados em um único escritório, por funcionários de uma determinada empresa, em um único dispositivo (PC). Predominantemente orientados ao negócio. Sistemas de informações usados em todos os lugares, por várias pessoas, em múltiplos dispositivos (PC, notebooks, tablets e smarts fones). Orientada ao negócio e ao cliente-cidadão.

Ecossistema

Estável. Inicialmente compreendia uma rede relativamente pequena de revendedores de parceiros estratégicos do negócio. Vibrante, robusto e dinâmico. Compreende desenvolvedores individuais e parceiros de pequeno porte do negócio. As parcerias e comunidades se formam, mudam e se dissolvem rapidamente.

Colaboração

Baseada em competição entre empresas do setor. Baseada em cooperação entre empresas do setor.

Tecnologia

Principalmente soluções fechadas e proprietárias, às vezes disponíveis via caro licenciamento, as quais não são desenvolvidas especificamente para as empresas do setor. Principalmente soluções abertas e não proprietárias. Na maioria das vezes assume a forma de um kit de desenvolvimento livre ou de uma API. Essas soluções podem ser customizadas para o setor.

Inovação

Top down. Interna ou via aquisição de know-how. Normalmente lenta. Bottom-up. Aberta baseada ou apoiada em parcerias com instituições de P&D. Muito rápida.

Marketing

Campanhas de marketing do setor, centralizadas em uma única agência, rigidamente coordenadas e controladas. Co-marketing e campanhas dirigidas em parcerias entre os diversos atores do setor. Mais independentes, orgânicas e descentralizadas.

 

Como se pode ser visto neste quadro, uma plataforma de inteligência colaborativa deve considerar que o seu mercado-alvo deverá ser orientado não somente ao negócio, mas, sobretudo, aos “usuários-cidadãos”.

Conforme descrito anteriormente, a evolução da Web permitiu que organizações públicas e privadas ampliassem significativamente seus portfólios e as formas como elas se relacionam com seu público-alvo. Um dos avanços mais recentes nessa evolução foi o desenvolvimento de recursos integrados para a criação, evolução e gestão dos chamados “big data”.

Um exemplo de visão de oportunidades está representado na figura abaixo, que apresenta o “ecossistema de Big Data” da Raytheon®.

BDE

Fonte: Raytheon (http://www.raytheon.com) .

O esquema representado nesta figura mostra o ciclo virtuoso que a conectividade da internet permite realizar entre provedores e usuários de informação. O ciclo inicia pela disponibilidade de fácil acesso a dados com baixo custo. Com isso, os usuários esperam atendimento sob demanda, rápido, ubíquo (pervasivo) e seguro. Além disso, mais do que acesso a dados, os usuários necessitam de análises que os permitam encontrar os dados certos no momento certo. Entre a demanda por dados dos usuários estão informações criadas pelos próprios usuários. O ciclo necessita, também, de tecnologia ubíqua (i.e., pervasiva nas diferentes mídias – responsiva, com acessos configurados para cada forma de utilização dos serviços). O ciclo se fecha com o surgimento de mídias sociais e espaços compartilhados de troca de serviços e informações, que geram dados e insumos úteis no reiniciar do fluxo oferta-demanda.

Este ciclo ilustra a forma pela qual a plataforma de inteligência colaborativa, que o DOT digital group pretende desenvolver, deverá enfrentar os desafios relatados anteriormente.

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