As Barreiras do Desenvolvimento – Parte II

O País tem aumentado os investimentos em educação, mas ainda está longe dos 10% do PIB que seriam necessários para colocar a educação brasileira num patamar comparável ao dos países emergentes mais competitivos, como é caso da Coreia do Sul.

O problema não é só de recursos, mas sobretudo de gestão. A saída mais correta seria federalizar a rede de escolas públicas municipais e estaduais de nível fundamental e básico, acabando de uma vez por todas com as heterogeneidades entre as diversas regiões, permitindo que o País passe dos atuais 7 anos de média de escolaridade para, no mínimo, 12 anos até 2025.

Dificilmente uma criança em um estado pobre da Região Nordeste do Brasil terá o mesmo nível de escolaridade que uma criança da Região Sul. Esta disparidade será refletida no desenvolvimento econômico e social de cada região, pois o capital humano se converte em capital organizacional e, de forma mais ampla, em capital social. Há uma relação direta de proporcionalidade entre o nível de escolaridade de uma determinada região e o seu capital social.

Destaco também a carência crônica de uma educação técnica e tecnológica para a nossa juventude. A cultura tecnológica mede a agilidade com que a economia adota as tecnologias existentes para melhorar a produtividade de suas indústrias, com ênfase específica na sua capacidade de aproveitar plenamente as tecnologias de informação e comunicação (TIC), nas atividades diárias e nos processos de produção para aumentar a eficiência e competitividade.

No Brasil, hoje, para cada jovem que obtém um diploma de engenheiro, 10 jovens obtêm um diploma de bacharel em Direito. Totalmente inverso ao que ocorre na Coreia do Sul, por exemplo. Apesar da capacitação técnica desenvolvida pelo Sistema S, Escolas Técnicas Federais e Estaduais, Institutos Federais de Educação Tecnológica e universidades, há uma falta crônica de engenheiros e de técnicos de nível médio, comprometendo a economia brasileira. Esta falta crônica de profissionais da área tecnológica faz a economia brasileira ficar congelada num ritmo relativamente lento de crescimento, se comparado com o de outros mercados emergentes.

Aliada a isso, vem a nossa precária infraestrutura. A saída é o governo federal implementar um programa de parcerias público-privadas para captar investimentos que possam resolver os gargalos que atrasam o nosso desenvolvimento. Há muitas empresas nacionais e estrangeiras interessadas em investir nesta área no País. É necessário oferecer maior segurança jurídica para os investidores.

O Brasil investe apenas 2% do seu PIB na ampliação e na melhoria de sua infraestrutura, enquanto países emergentes investem em torno de 5%, e a China tem investido em torno de 10%. A falta de investimento em infraestrutura é uma das razões mais importantes do crescimento letárgico da economia brasileira. O fracasso em construir estradas e portos faz com que mesmo tarefas simples, como movimentar-se pelo País, passe a ser um verdadeiro pesadelo.

Neri Dos Santos é doutor em Engenharia pelo Conservatoire National des Arts et Métiers de Paris, professor e consultor técnico – Knowtec

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