A arte de liderar pessoas

A natureza do trabalho dos diretores e gerentes de recursos humanos vem se modificando completamente com a ascensão do trabalhador do conhecimento. Com uma função de proteção e cuidado com os ativos da empresa, à medida que a participação dos ativos intelectuais cresce, o trabalho desses profissionais sofre alterações profundas.

O trabalho baseado no conhecimento não pode ter sua gerência fundamentada majoritariamente em números, como o trabalho mão de obra. Ao contrário, a atividade do trabalhador do conhecimento tem semelhanças com a atividade do profissional liberal: a avaliação é pelo resultado alcançado, não pela atividade realizada.

A expertise à qual o trabalhador do conhecimento estará submetido será a de outro membro de sua profissão, não a de um chefe: não há chefes, mas clientes. Pode-se constatar que a explosão de novos conhecimentos científicos, a rápida difusão da informação, o poder crescente e veloz da tecnologia da informação, a participação cada vez maior do conhecimento no valor agregado da empresa, a ascensão do trabalhador do conhecimento – todos esses fatores trabalham juntos, cada um deles sendo simultaneamente ovo e galinha, causa e efeito, a fim de impor novos tipos de modelo organizacional e novos métodos gerenciais.

A gerência do tipo comando e controle vem se tornando desnecessária, principalmente admitindo-se o progressivo abandono de linhas de produção de bens em massa e a implementação crescente do trabalho baseado no conhecimento. Saber mais do que os chefes, ter mais sensibilidade para o mercado e estar mais próximo dos clientes são características comuns aos gerentes das organizações intensivas em conhecimento. Esses possuem alto grau de escolaridade. A focalização nas publicações direcionadas aos diretores e gerentes de recursos humanos do tema liderança de pessoas, e não maisadministração de recursos humanos, comprova a mudança da forma de atuação dos profissionais que exercem essa função.
A constatação de que os diretores e gerentes de recursos humanos vêm se agrupando em torno de uma linguagem que engloba termos como: valores, visão, trabalho em equipe, facilitador e empowerment refletem a busca de meios para implementar a gestão do conhecimento, do trabalho baseado no conhecimento e de empresas que usam intensivamente o conhecimento. Na economia da era industrial, o ser humano trabalhava para a máquina. Pouco ou nenhum impacto era sentido pela produção quando da troca de um funcionário.

Hoje, no entanto, as partes mais valiosas das atividades que exercemos são, essencialmente, humanas – sentir, julgar, criar, desenvolver relacionamentos. As ferramentas e o produto de seu trabalho, o trabalhador do conhecimento leva consigo: é o seu cérebro. A trajetória que nos levará à uma mudança de paradigma da maneira industrial de ver o mundo, para vê-lo do ponto de vista da era do conhecimento, exige que se tenha bem claro o conjunto de tópicos que diferenciam essas duas óticas.

De fato, para enxergar uma organização do conhecimento, os gerentes devem procurar ver as organizações como se elas fossem constituídas de estruturas de conhecimento, não de capital. Assim sendo, os gerentes das empresas intensivas em conhecimento devem ser, necessariamente, líderes de pessoas, líderes de talentos.

Neri Dos Santos é doutor em Engenharia pelo Conservatoire National des Arts et Métiers, professor e consultor técnico.

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